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terça-feira, 4 de maio de 2010
Flamengo detonado pela Placar
Pausa no Flamengo x Corinthians. É hora de protesto no Fla 43.
Não é de hoje que a revista Placar tem derrapado feio quando o assunto diz respeito ao Flamengo, diretamente ou indiretamente. Uma edição de 2008 garantia que o Corinthians era o time mais odiado do Brasil. Em janeiro deste ano, a edição especial sobre o Campeonato Brasileiro brindou os leitores com um longo texto que colocou em dúvida a credibilidade do Hexa – eis alguns trechos:
“Na antepenúltima rodada, o Corinthians caiu diante do Flamengo. Os alvinegros demonstraram o mesmo futebol desinteressado que exibiram na maior parte da competição; talvez com um pouco mais de desinteresse...”
“Numa tacada só, a vitória deixou os cariocas com a mão na taça, fez o outrora todo-poderoso São Paulo (mutilado pelos desfalques do Tribunal...)”
Como as reticências comprovam, a Placar não poupou ironia ao descrever a reta final do Campeonato Brasileiro de 2009. Mas a revista se superou em abril, em edição recheada por conta das comemorações de seu 40º aniversário. Uma das atrações deste número, o de 1.341, é assinada pelo repórter Jonas Oliveira: um ranking descrito como a lista dos “40 maiores jogos de clubes brasileiros testemunhados pela revista.” A senha para a mais nova injustiça cometida por Placar contra o Flamengo.
Vamos aos fatos. Entre os 12 maiores clubes do país, Flamengo e São Paulo são os mais presentes nesses 40 grandes jogos: cada um aparece 10 vezes. Em seguida, vêm Corinthians, Internacional e Palmeiras (sete), Cruzeiro (seis), Vasco (cinco), Atlético-MG, Fluminense e Santos (quatro), Grêmio (três) e Botafogo (duas).
Mas a aparente supremacia rubro-negra é quebrada assim que se calcula o retrospecto do clube na relação escolhida. Dos 10 jogos em que aparece, o time venceu quatro e perdeu seis. Só há outro grande no prejuízo, o Atlético-MG, com uma vitória e três derrotas.
A desvantagem rubro-negra em relação aos demais torna-se flagrante, porém, quando se analisa os resultados das partidas. Dos 40 jogos, há nove goleadas, cinco sofridas pelo Flamengo: 0 x 6 para o Botafogo (Brasileiro de 1972), 1 x 4 para o Palmeiras (Brasileiro de 1979), 2 x 4 para o Palmeiras (Copa do Brasil de 1999), 1 x 4 para o Vasco (Brasileiro de 1997), 1 x 4 para o Corinthians (Brasileiro de 1984).
Não dá para entender o critério utilizado pela revista. As goleadas sofridas para Palmeiras (a de 4 x 1) e Botafogo, por exemplo, tiveram trocos muito bem dados, em jogos tão inesquecíveis para os rubro-negros quanto os outros para os dois rivais. Sem contar as inúmeras surras aplicadas no Corinthians ao longo de quatro décadas.
Para piorar, a lista não menciona os 3 x 0 do Flamengo de Leandro, Júnior e Zico sobre o Liverpool, na decisão do Mundial de Clubes de 1981. Mas lembra o ridículo 1 x 0 do São Paulo de Mineiro e Aloísio Chulapa contra o mesmo time inglês e pelo mesmo torneio, num jogo em que os paulistas passaram o segundo tempo inteiro encolhidos na defesa, rezando para ouvir o apito final.
Talvez alguém atribua as escolhas de Placar ao fato de o Flamengo ser o clube mais importante do país, aquele sobre quem uma vitória ganha contornos heróicos, e não tiro a razão de quem pensa desta maneira. Mas seria boa vontade demais. Com uma escolha tão sem pé nem cabeça, não dá nem para celebrar, de tão óbvio, o acerto no melhor jogo de clubes brasileiros dos últimos 40 anos: Flamengo 3 x 2 Atlético-MG, pelo Campeonato Brasileiro de 1980.
O tratamento foi desigual.
***
Para quem teve saco de chegar até aqui, o Fla 43 reproduz a lista da Placar. Já segundo tópico é cortesia do blog, que fez a conta com o retrospecto de cada um dos 12 maiores clubes do país na lista.
Maiores jogos:
40. Atlético-PR 4 x3 Coritiba (Campeonato Paranaense 1971)
39. Botafogo 6 x 0 Flamengo (Campeonato Brasileiro 1972)
38. Corinthians 1 x 1 Inter (Campeonato Brasileiro 2005)
37. São Paulo 3 x 2 Santos (Campeonato Brasileiro 2002)
36. Bahia 2 x 1 Inter (Campeonato Brasileiro 1988)
35. São Paulo 3 x 4 Flamengo (Campeonato Brasileiro 1982)
34. Portuguesa 2 x 5 Vasco (Campeonato Brasileiro 1984)
33. Vasco 2 x 3 Fluminense (Campeonato Brasileiro 1988)
32. Cruzeiro 2 x 1 São Paulo (Copa do Brasil 2000)
31. Flamengo 2 x 0 Cobreloa (Libertadores 1981)
30. Atlético-MG 4 x 2 Cruzeiro (Campeonato Brasileiro 1999)
29. Inter 2 x 1 Atlético-MG (Campeonato Brasileiro 1976)
28. Flamengo 1 x 4 Palmeiras (Campeonato Brasileiro 1979)
27. Santos 0 x 2 Cruzeiro (Campeonato Brasileiro 2003)
26. Inter 2 x 1 Grêmio (Campeonato Brasileiro 1988)
25. Corinthians 3 x 2 São Paulo (Campeonato Brasileiro 1999)
24. Palmeiras 4 x 2 Flamengo (Copa do Brasil 1999)
23. São Paulo 1 x 0 Liverpool (Mundial de Clubes 2005)
22. Corinthians 2 x 3 Palmeiras (Libertadores 2000)
21. São Paulo 4 x 4 Palmeiras (Campeonato Brasileiro 1985)
20. Cruzeiro 3 x 2 River Plate (Libertadores 1976)
19. Atlético-MG 2 x 3 Flamengo (Campeonato Brasileiro 1987)
18. Fluminense 3 x 1 São Paulo (Libertadores 2008)
17. São Paulo 3 x 2 Botafogo (Campeonato Brasileiro 1981)
16. Vasco 4 x 1 Flamengo (Campeonato Brasileiro 1997)
15. Estudiantes 3 x 3 Grêmio (Libertadores 1983)
14. Palmeiras 3 x 4 Corinthians (Campeonato Paulista 1971)
13. Cruzeiro 5 x 4 Inter (Libertadores 1976)
12. Santos 3 x 2 Corinthians (Campeonato Brasileiro 2002)
11. Santos 5 x 2 Fluminense (Campeonato Brasileiro 1995)
10. Corinthians 4 x 1 Flamengo (Campeonato Brasileiro 1984)
9. Guarani 3 x 3 São Paulo (Campeonato Brasileiro 1986)
8. Vasco 5 x 2 Corinthians (Campeonato Brasileiro 1980)
7. Inter 1 x 0 Cruzeiro (Campeonato Brasileiro 1975)
6. Fluminense 3 x 2 Flamengo (Campeonato Carioca 1995)
5. Náutuco 0 x 1 Grêmio (Série B 2005)
4. Palmeiras 2 x 3 Inter (Campeonato Brasileiro 1979)
3. São Paulo 2 x 1 Barcelona (Mundial de Clubes 1992)
2. Palmeiras 3 x 4 Vasco (Copa Mercosul 2000)
1. Flamengo 3 x 2 Atlético-MG (Campeonato Brasileiro 1980)
Retrospecto por clube:
Flamengo – 10 jogos (4 vitórias, 6 derrotas - 5 por goleada)
São Paulo – 10 jogos (4 vitórias, 2 empates, 4 derrotas)
Corinthians – 7 jogos (3 vitórias, 1 empates, 3 derrotas)
Internacional – 7 jogos (4 vitórias, 1 empate, 2 derrotas)
Palmeiras – 7 jogos (3 vitórias, 1 empates, 3 derrotas)
Cruzeiro – 6 jogos (4 vitórias, 2 derrotas)
Vasco – 5 jogos (4 vitórias, 1 derrota)
Atlético-MG – 4 jogos (1 vitória, 3 derrotas)
Fluminense 4 jogos (3 vitórias, 1 derrota)
Santos – 4 jogos (2 vitórias, 2 derrotas)
Grêmio– 3 jogos (1 vitória, 1 empate, 1 derrota)
Botafogo – 2 jogos (1 vitória, 1 derrota)
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Tostão, sobre o Flamengo
No embalo de Flamengo x Corinthians, segue trecho da coluna de hoje do Tostão:
"A única coisa importante que realmente mudou no Flamengo foi a queda das condições físicas e técnicas de Adriano e Petkovic. Isso fez a diferença."
Leia a íntegra do texto aqui (eis a dica: ao contrário da Folha de São Paulo e do Correio Braziliense, o conteúdo de O Povo, do Ceará, é aberto. Tostão escreve todas as quartas e domingos).
NR: a poucas horas do jogo, a tensão toma conta do blogueiro.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Jura?
A frase é abaixo de Andrade, em matéria publicada hoje no GloboEsporte.com:
“Todos os brasileiros que estão nas oitavas da Libertadores não foram campeões. O Inter ainda está na disputa (do Gaúcho), mas priorizou o tempo todo a Libertadores. Nós deveríamos ter priorizado. Mas nem por isso os técnicos foram demitidos.”
Com todo o respeito do mundo ao ídolo Andrade, que dedicou a vida ao Flamengo e deu ao clube o Hexa, não é fácil ler isso sem se irritar.
Correção: a entrevista foi publicada pelo jornal Extra. O GloboEsporte.com apenas publicou alguns trechos, mas deu o crédito ao diário carioca.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Impressões iniciais sobre Flamengo x Corinthians
* Para a imprensa, nada melhor. O Flamengo x Corinthians das oitavas-de-final da Libertadores já impulsiona as vendas de jornais, os acessos aos sites esportivos, a audiência da televisão. Graças, especialmente, a Adriano e Ronaldo, que ainda têm assustadora capacidade de mobilização, mesmo acima do peso e sem jogar p*rra nenhuma. E por ser o duelo entre os dois times mais populares do país. Deve ter havido festa ontem à noite nas redações brasileiras, principalmente na Globo.
* Para o Flamengo, ter a chance de disputar o duelo é lucro. Não fossem os resultados de três jogos de outros grupos, o clube só jogaria de novo em 9 de maio, contra o São Paulo, na estreia do Campeonato Brasileiro. A dúvida é saber que time enfrentará o Corinthians na próxima quarta-feira, no Maracanã, que técnico estará à beira do gramado, que cartola terá a missão de comandar o futebol do novo (?) Flamengo – esclarecimentos nesta tarde, com a presidenta Patrícia Amorim.
* Para a torcida, não há motivo para otimismo, tampouco para pessimismo. Enfrentar o experiente e arrumado Corinthians de Mano Menezes, dono da melhor campanha da primeira fase, é o mesmo que encarar o fraco Universitario, do Peru, porque o Flamengo é totalmente imprevisível na Libertadores. Em 2007 e 2008, classificou-se com campanhas exemplares na primeira fase e levou ferro dos uruguaios do Defensor e dos mexicanos do América, respectivamente. Não dá para saber o que esperar.
* Para os secadores, o primeiro confronto brasileiro da Libertadores 2010 será histórico. Nunca dois jogos de futebol terão mobilizado tantos membros dessa categoria. Flamengo e Corinthians são os clubes mais odiados em seus respectivos estados e no país. Claro que os rubro-negros contam com mais antipatizantes, pois despertam a fúria de torcedores de qualquer clube nos milhares de cidades onde o clube é maioria. Nas duas próximas noites de quartas-feira, as ruas do Brasil estarão desertas.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Para refletir
Do jornalista Cosme Rímoli, em seu blog no portal R7:
“Loco Abreu tem nas veias o sangue guerreiro uruguaio.
Isso faz a diferença no futebol carioca, tão cadenciado e com tantos jogadores mimados.”
Não há mais nada no texto que interesse ao Flamengo, mas segue o link.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
World of pain
Está lá no GloboEsporte.com, em matéria assinada por Eduardo Peixoto e pelo bem informado Eric Faria, o mesmo que cobriu o jogo para a TV Globo direto do gramado: no intervalo de Universidad Católica 2 x 0 Flamengo, em Santiago, Bruno e Petkovic se desentenderam seriamente. Terminado o primeiro tempo, o goleiro desceu para o vestiário acusando o sérvio de falta de empenho. Partiu para cima do colega e tentou acertar-lhe um soco. Outros jogadores apartaram a confusão.
Além de expor o clima atual da Gávea, a briga é semelhante a outra, também ocorrida durante vexame rubro-negro na Libertadores. Em 2007, no estádio Centenário, em Montevidéu, Juninho e Ney Franco bateram boca rispidamente no vestiário. O meia se irritou ao ser substituído pelo técnico, em jogo que o time perderia por 3 x 0. A eliminação viria uma semana depois, após insuficiente vitória por 2 x 0, no Maracanã, sem Juninho, que teve o contrato rescindido após o incidente.
Naquele ano, o Flamengo também alternava a disputa da Libertadores com jogos decisivos pelo Campeonato Carioca, contra o Botafogo. Quatro dias depois de cair fora do torneio continental, o clube conquistou o título estadual nos pênaltis. Durante a comemoração, o comportamento de praxe de qualquer boleiro: o meia Renato disse que a imprensa inventara um racha no elenco e o volante Claiton, que não desperta saudades, mandou um abraço para Juninho.
A confusão de agora, no entanto, é muito mais grave. Não só por ser preocupante ver o capitão do time, um dos líderes entre os jogadores, goste-se de Bruno ou não, se atracar com um ídolo do clube, embora Pet seja conhecido pelo difícil temperamento. Também não é apenas pela importância dos dois em campo - em boa fase. Mas, principalmente, porque o esse Flamengo tem potencial infinitamente superior àquele de Juninho e de Ney Franco, mas não tem jogado nada.
A partir daí, surgem as perguntas. Pet está sem clima no clube em 2010, mas será que todos no time o enxergam como um problema? Acusar o sérvio de fazer corpo mole mascara a falta de empenho de todos os jogadores? Farão de Pet um bode expiatório para os possíveis fracassos rubro-negros no semestre? O time está apenas em má fase técnica e tática ou, além disso, como acredito, não tem corrido o suficiente? E, se não tem corrido o suficiente, porque isso acontece? Estaria Andrade sem moral?
Tenho cá minhas opiniões, mas é impossível saber de tudo. Isso é tarefa para os repórteres que cobrem o clube, embora tais crises costumem vir à tona somente quando os resultados em campo não são satisfatórios. Um título tem o poder de encobrir tudo, como os problemas de relacionamento do Corinthians de Luxemburgo, Marcelinho, Rincón e Edílson, campeão brasileiro em 1998, e do Botafogo de Túlio e Wilson Gottardo, que não se aturavam, mas deram ao clube o título brasileiro em 1995.
Caso o Flamengo derrote o Botafogo no domingo, conquistando a classificação para a final do Campeonato Carioca, diante do mesmo Botafogo, e garanta vaga, semana que vem, na próxima fase da Libertadores, a pressão será aliviada. Mas tais resultados não serão suficientes para encobrir o problema. É preciso que alguém com autoridade sobre o elenco assuma o pepino, resolva a questão e sacuda o time. Não dá para esperar resultados caírem do céu de uma equipe que tem se apresentado abaixo da crítica.
No fim das contas, a história desse time será contada a partir dos resultados. Se o Flamengo de 2010 for um time campeão, dentro de 10 anos poucos vão lembrar-se das péssimas atuações da equipe e de alguns problemas extra-campo – fabricados ou não – que têm marcado a temporada. Se for um time derrotado, alguém vai levar a culpa: Adriano, Pet, Bruno, Vagner Love, Leo Moura, Andrade, Marcos Braz... Ninguém estará livre do julgamento.
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segunda-feira, 12 de abril de 2010
Ele estava certo
Vagner Love foi dispensado do Vasco quando tinha 15 anos.
E comentou o assunto na Placar de março:
“Acho que, hoje em dia, o pessoal do Vasco está bastante arrependido de ter me mandado embora.”
Alguma dúvida?
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quarta-feira, 31 de março de 2010
O show do intervalo, o Flamengo e a freguesia
Quem assiste aos jogos do Campeonato Carioca pela Globo deve curtir bastante o intervalo das partidas. Nesse momento, a emissora exibe o quadro Aconteceu no Estadual, que relembra episódios marcantes do torneio, sempre contados a partir do ponto de vista dos protagonistas dos fatos.
Como tenho o hábito de acompanhar o Flamengo pelo Pay-Per-View do SporTV, só tive a oportunidade de conferir o quadro no último domingo, durante a transmissão da vitória rubro-negra por 2 x 1 sobre América, no vazio Engenhão.
Pois gostei bastante do que vi, e nem tanto pela aposta correta em valorizar as boas histórias do Campeonato Carioca - há quadro de formato semelhante no intervalo dos jogos da Libertadores, a relembrar inesquecíveis batalhas continentais. O que me agradou em particular foi o acerto da emissora na escolha das imagens da vinheta.
Repare bem. Quando o narrador anuncia o Aconteceu no Estadual, a telinha exibe rapidamente quatro lances históricos da competição, antes de dar início aos causos propriamente ditos: o gol de Petkovic na decisão de 2001, o gol do vascaíno Cocada na decisão de 1988, o gol do botafoguense Maurício na decisão de 1989 e o gol de barriga do tricolor Renato Gaúcho na decisão de 1995.
À exceção óbvia da falta magistral cobrada por Pet, diante do eterno vice, os outros lances aconteceram em jogos contra o Flamengo. E proporcionaram títulos estaduais a Vasco, Botafogo e Fluminense. Touché: a emissora de televisão mais influente do país captou com precisão – e involuntariamente, arrisco dizer - a essência do futebol carioca.
Ao exibir as glórias da freguesia, justamente aquelas que ela mais festeja, a despeito de uma e outra conquista nacional ou internacional, a Globo expõe também as feridas dela. E revela bastante sobre o que significa ser rubro-negro.
Sim, porque a memória e o coração do torcedor do Flamengo reservam lugar especial para triunfos como o Tri sobre o Botafogo (de 2007 a 2009) e os 4 x 2 sobre o Fluminense na final de 1991. Ou, saindo do terreno das decisões, para os 6 x 0 no Botafogo em 1981 e para o golaço de Leandro no Fluminense, aos 45 do 2º tempo, em 1985 – dois momentos que marcaram até mais a alma rubro-negra, embora não tenham resultado em títulos.
À freguesia, resta a eterna e obsessiva busca por vitórias sobre o alvo comum, o Clube de Regatas do Flamengo. Como acontece neste 2010.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Noite dos esquecidos
Reproduzo, no entanto, a matéria de hoje do Correio Braziliense, assinada pelo repórter Roberto Naves.
Denis Marques, Camacho e o promissor Carlyle, ex-CFZ, que estreou pelo clube, marcaram os gols rubro-negros. O goleiro Paulo Victor pegou um pênalti.
Comandado pelo auxiliar Marcelo Sales, o Flamengo jogou com: Paulo Victor; Galhardo, Rômulo, Henrique e Anderson (Saba); Lenon, Leo Medeiros, Camacho e Gil (Eliabe); Bruno Mezenga (Carlyle) e Denis Marques.
"Paixão cega
Come e dorme do Flamengo leva mais de dois mil pagantes ao Mané Garrincha em amistoso caça-níquel
Roberto Naves
A torcida candanga do Flamengo deu mostras de paixão cega pelo clube da Gávea. Um simples amistoso caça-níqueis com o come e dorme rubro-negro atraiu mais de dois mil pagantes ao Mané Garrincha, ontem à noite, na goleada de 3 x 0 sobre o Brasília. Os 2.071 torcedores do público divulgado – a estimativa extraoficial é de quatro mil pessoas presentes – deixaram o estádio vazio, mas superam os 1.915 que foram ver o time principal, de Adriano, Vagner Love e Petkovic, bater o Tigres, na quarta-feira, no Engenhão, pelo Campeonato Estadual.
Mesmo representado por um time de jogadores raramente aproveitados e execrados pela torcida carioca, como os atacantes Gil, Denis Marques e Bruno Mezenga, o 'cover' rubro-negro fez a festa do público candango. Bombas, cascatas de fogos de artifícios, tradicionais cânticos e gritos de olé deram ares de Maracanã ao Mané Garrincha.
Nem o treinador Andrade veio a Brasília para o jogo que valeu R$ 100 mil para os cofres rubro-negros, em amistoso promovido para comemorar a Semana Nacional das Comunidades Árabes Brasileiras. Com o auxiliar Marcelo Sales no papel de técnico, Denis Marques e Gil brindaram o público candango com duas costumeiras furadas, devidamente ignoradas pelos fãs.
Denis Marques ainda abriu o placar, aos 18 minutos do primeiro tempo, em belo chute no ângulo do goleiro Diego, para começar a festa nas arquibancadas. Vestido com a camisa 10, o volante Leo Medeiros tentou honrar o papel de sucessor de Zico, mas a cobrança de falta não lembrou o maior craque da história da Gávea.
Terceiro goleiro do Flamengo, Paulo Victor teve o seu momento de titular Bruno ao defender pênalti cobrado, sob vaias, por Felipe aos 10 minutos do segundo tempo. O pulo certeiro no canto direito foi o suficiente para comemorações na arquibancada e gritos de 'Mengo'. O colorado até pressionou e carimbou uma bola na trave, aos 29, com Djavan, mas foram os visitantes que ampliaram.
Na sua estreia pelo rubro-negro, o candango Carlyle, revelado pelo CFZ-DF na Copa São Paulo deste ano, acertou o canto de Diego, mas o gol foi anulado. No entanto, a prata da casa teve o direito de festejar seu primeiro gol com a camisa do Flamengo, aos 38, depois de completar na saída do goleiro a triangulação de Gil e Denis Marques.
Festa completa com direito a gritos de olé, vaias para o 'anfitrião' Brasília e até surpreendentes aplausos para Gil na substituição, aos 44. Só não deu tempo para o goleiro reserva do colorado, Célio, entrar na vaga de Diego. O árbitro Alexandre Andrade apitou o jogo antes do fim da troca."
Foto: GloboEsporte.com
sexta-feira, 19 de março de 2010
Adriano e Love, o outro lado da moeda
Em meio à overdose de notícias nada edificantes sobre as vidas particulares de Adriano e Vagner Love, um veículo de comunicação oferece ao leitor brasileiro o outro lado da moeda. A edição de março da revista ESPN traz matéria bacana sobre a relação da dupla de atacantes do Flamengo com os bairros – comunidade, no caso do Imperador – onde nasceram.
No texto, assinado pelo jornalista Aydano André Motta, não há especulação sobre ligação com traficantes nem relatos sobre brigas conjugais ou quantidade de pontos em carteiras de habilitação. Há, sim, histórias como a do dia em que Adriano mandou comprar 300 sanduíches do McDonald’s para crianças da Vila Cruzeiro e caiu com elas na farra – o substantivo finalmente foi empregado no bom sentido.
Não sei qual o dia de fechamento da revista ESPN, quando a edição, já pronta segue para a gráfica, onde é impressa e de onde é distribuída para as bancas de todo o país. Mas é certo que a escolha da pauta e a finalização da matéria aconteceram antes do escândalo de Adriano com a noiva, que pipocou em 5 de março e desencadeou a perseguição aos dois atacantes.
Se o fato tivesse acontecido dias ou semanas antes, a matéria teria sido outra, embora a ESPN não trate tais assuntos com histeria. Como não deu tempo, vale o registro. A revista oferece uma brecha para os rubro-negros respirarem - pelo menos para aqueles que, como eu, só a compraram nos últimos dias.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Já foi mais fácil
Em 99, Fla meteu sete no U. de Chile
O Flamengo foi o campeão da Copa Mercosul de 1999. E com um time bastante limitado, vencedor na base da camisa e da superação, fazendo jus a todos os clichês verdadeiros que dizem respeito ao clube. Mas, antes de superar o Palmeiras de Marcos, Arce, Zinho, Alex, Asprilla e outros craques comandados por Felipão, o time atropelou adversários, como os decadentes Independiente de Avellaneda e Peñarol – com direito a goleadas de 4 x 0 e 3 x 0, respectivamente, no Maracanã.
Foi na fase de grupos do torneio que o Flamengo humilhou o adversário de hoje. Num Maracanã com apenas 6 mil pagantes, o time enfiou 7 x 0 no Universidad de Chile. A vitória garantiu ao rubro-negro o segundo lugar no Grupo E, atrás do Olimpia, e a vaga nas quartas-de-final da Mercosul. Romário, demitido do clube antes da decisão contra o Palmeiras, marcou quatro vezes. Caio, Rodrigo Mendes e o obscuro lateral-esquerdo Marco Antônio completaram o placar.
Alguém pode argumentar que o Flamengo foi derrotado pelos chilenos fora de casa, no estádio Nacional, em Santiago (2 x 0). Mas é inegável que a disparidade entre os clubes brasileiros e os demais sul-americanos era mais acentuada em relação a hoje, embora a repatriação de craques do quilate de Adriano e Robinho tente provar o contrário. Na segunda metade dos anos 90, os clubes daqui faturavam quase todos os troféus do continente – a hegemonia do Boca Juniors começaria apenas em 2000.
O Flamengo de Adriano é mais forte que o Flamengo de Iranildo, mas a evolução também vale para o Universidad de Chile. Além disso, os caras só jogaram uma vez, e pelo Campeonato Chileno, desde o terremoto de 27 de fevereiro. Dois deles, o volante Marco Astrada e o atacante Gabriel Vargas, enfrentaram estradas danificadas para levar água e comida a familiares, conforme matéria de ontem d’O Globo. Imaginem a vontade de provar, em campo, que o país não se abalou.
Outro motivo para zelo redobrado no Estádio Monumental, cedido pelo Colo Colo – e que não estará lotado, pois colocaram apenas 25 mil ingressos à venda de 47 mil possíveis, por medidas de segurança: o Flamengo ainda não enterrou a tal crise, fabricada após o barraco de Adriano com a noiva, alimentada por outras investigações sobre a vida particular do craque e doida para reaparecer depois de Vagner Love estrelar involuntariamente o Fantástico. Basta uma derrota no Chile para a coisa desandar na Gávea.
Há, no entanto, razões suficientes para acreditar num Flamengo imbatível em Santiago: a capacidade já demonstrada de superar adversidades e o talento individual de vários jogadores, do goleiro Bruno ao Imperador. Vale também confiar numa boa apresentação de Rodrigo Alvim, escalado como volante ao lado de Willians, e rezar para que ninguém cometa a burrada de ser expulso sem necessidade. Fica a torcida para que, pelo menos hoje, a vida seja tranquila como na Copa Mercosul de 1999.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Ô, Imperador treinou
Foram apenas 35 minutos no clube. De chinelos, Adriano participou da conversa de Andrade com o elenco. Depois, foi até a sala de musculação. E deixou a Gávea.
Isso na segunda-feira, dia seguinte a uma partida. Fato raro na vida do craque. Pena que a notícia não vai ter o mesmo destaque do barraco do Imperador com a noiva.
É como dizia um antigo professor: “Notícia boa é notícia ruim."
É como diz Andrade: “Prefiro ter um jogador polêmico que faça 19 gols no Brasileiro do que um bonzinho que faça cinco.”
sexta-feira, 12 de março de 2010
Os melhores segundo Nunes
O ídolo é também o participante de março da seção “Meu time dos sonhos”, publicada mensalmente na revista Placar. Nessa coluna, os boleiros de outrora listam os 11 melhores jogadores de todos os tempos. Uma página inteira para que cada um deles escale e comente, nome por nome, sua seleção ideal.
E Nunes, o João Danado, o Artilheiro das Decisões, não se fez de rogado. Além de incluir no time três craques da geração de ouro do Flamengo - habitués do espaço – e o ex-técnico rubro-negro Cláudio Coutinho, falecido, ele teve moral para se escalar na seleção dos melhores.
Vejamos a lista de Nunes e a justificativa do craque para sua presença na lista:
"Taffarel; Leandro, Piazza, Belinni e Júnior; Falcão, Garrincha, Pelé e Zico; Romário e Nunes
Técnico: Cláudio Coutinho"
"Sempre fui um goleador importante por onde passei. Fui um homem de decisão, que fazia gols fundamentais para os títulos que ganhei".
Alguém discorda da declaração? Eu, não. E dá-lhe Nunes.
***
Aliás, Nunes já maltratou nosso freguês predileto e adversário de domingo, o antipático Vasco da Gama. Em 1981, ele aproveitou uma dividida entre Júnior e o goleiro Mazzaropi, na intermediária do gramado, e marcou um golaço dali mesmo, de primeira, na decisão do Campeonato Carioca de 1981.
O resultado, todos os rubro-negros conhecem: Flamengo 2 x 1 Vasco, mais um troféu na Gávea e mais um vice em São Januário.
Foto: O Globo (Flamengo 3 x 2 Atlético-MG, decisão do Campeonato Brasileiro de 1980)
quinta-feira, 11 de março de 2010
A visão dos venezuelanos
Reproduzo aqui matéria (traduzida) do jornal Líder en Deportes, da Venezuela, sobre o jogo de ontem entre Flamengo e Caracas, pela Libertadores. É interessante ver o ponto de vista deles sobre o que aconteceu na partida. O texto do repórter José Manuel Valladares é bem equilibrado, embora, obviamente, ele tenha escrito do ponto de vista do nosso adversário.
Alguns pontos da matéria são bastante interessantes e úteis para os rubro-negros exercitarem a autocrítica, inclusive este blogueiro, que escreveu ainda no calor do jogo e, apressado, decidiu omitir os defeitos do Flamengo. Não reparem na tradução tosca - aliás, uma palavra ou outra eu deixo para os leitores. Quem prefere ler no original, deve clicar aqui.
"A justiça não passou por Caracas
A equipe brasileira venceu o Caracas com ofício, aproveitando as carências ofensivas do time venezuelano, que agora complica suas possibilidades de classificação no grupo 8 da Libertadores.
José Manuel Valladares
Caracas – A história dirá que o Caracas perdeu por 3 x 1, que os três pontos foram para o Rio de Janeiro e que a situação do time no grupo 8 da Copa Libertadores se tornou mais complicada. Mas o que aconteceu na partida contra o Flamengo não esteve em sintonia com o placar final.
Os vermelhos dominaram grande parte do duelo no gramado irregular do Olímpico, impuseram sua proposta de jogo, controlaram a bola e buscaram sempre o arco. No entanto, o ofício – e a justiça – não esteve no arsenal da equipe da capital.
Os cariocas se dedicaram a esperar, deixaram o Caracas jogar e não se envergonharam em proteger a meta de Bruno. Sim, quando tiveram alguma liberdade, aproveitaram: de quatro chances que tiveram, três terminaram em gol.
Aos 30 minutos, o Caracas viveu seu melhor momento, com chances de Romero, Gómez e Guerra. Mas, com a falta de precisão, parece ter gastado um cartucho, o mais importante.
O Flamengo, que não havia visto o goleiro Vega de perto, se lembrou de atacar com uma ação na qual o chute de Petkovic foi interceptado por Romero com a mão. Pênalti que Vagner Love transformou em gol.
No segundo tempo, os visitantes ficaram com um jogador a menos por causa da expulsão de Toró e o Caracas foi um furacão. O time trabalhou bem e adiantou ainda mais suas linhas, enquanto os brasileiros se refugiariam e povoaram sua defesa.
O prêmio parcial à convicção do Caracas chegou quando Gabriel Cichero tocou em profundidade pela esquerda e achou Castellín. O atacante disparou uma bomba que igualou o duelo.
O melhor momento dos donos da casa foi interrompido por conta de agressão a um dos assistentes do árbitro. Com a pausa, o time perdeu um pouco a ordem e a fluidez e o Flamengo não desperdiçou seus contra-ataques. De novo, Vagner Love fez a diferença no ataque e converteu no mano a mano com Vega. Nos descontos, Rodrigo Alvim terminou de confirmar a injustiça."
quarta-feira, 10 de março de 2010
Flamengo versus histeria
Bruno, Léo Moura, Juan, Kleberson e Petkovic conhecem bastante o clube. O mesmo vale para Vinícius Pacheco, formado na Gávea e já nem tão verde assim. Álvaro e Vagner Love são calejados o suficiente para lidarem com este tipo de pressão. Sem falar no técnico Andrade, com doutorado no assunto.
Não cito os cabeças-de-área Toró e Fernando porque não confio no temperamento do primeiro, embora ele jogue há anos no Flamengo, na capacidade defensiva do segundo, embora ele mostre relativa eficiência no ataque, e porque confio menos ainda numa dupla de volantes formada pelos dois. E deixo de fora o novato zagueiro Fabrício, a ser testado novamente.
Riscos à parte, o problema é que não adianta ter cabeça fria se a maior parte da imprensa só vai levar em conta o resultado final. Se o Flamengo perder, mesmo jogando melhor, como contra o Botafogo, a histeria dos últimos dias terá continuidade e o clube vai embarcar de vez naquela espiral maluca que só serve para vender jornal e dar audiência para a televisão.
Ninguém vai dar a mínima para o fato de que todos os jogos pela Libertadores, principalmente fora de casa, costumam ser duríssimos. E poucos vão lembrar que, em 2009, o Caracas não perdeu em casa no torneio e foi eliminado pelo Grêmio, nas quartas-de-final, após dois empates. O negócio é o Flamengo vencer e assumir a liderança isolada do grupo. Ou empatar e se garantir na ponta ao lado do Universidad do Chile.
Sem Adriano, com Pet de volta entre os titulares, com Vinícius Pacheco ao lado de Love no ataque, o Flamengo precisa jogar futebol, sem recaídas como as relatadas no post abaixo. Se isso acontecer, o clube terá boas chances de aplacar a crise, pelo menos até o jogo de domingo, contra o Vasco.
Foto: Portal Imprensa.uol.com.br
segunda-feira, 8 de março de 2010
Raparigueiros unidos
Nada mais educativa, portanto, que a lição de PVC, ontem, na ESPN Brasil. Notícia de verdade são os números do Imperador em 2010: nos últimos dois meses, o craque faltou ou chegou com atraso a 11 treinos. A assustadora porcentagem é mais eloquente e reveladora da falta de compromisso e dos problemas de Adriano que qualquer confusão em porta de baile funk na hora de folga.
Mas há um detalhe interessante que emerge em meio ao circo provocado pelos veículos de comunicação: por mais raparigueiros e p*rra-loucas que sejam – ou aparentem ser, mas isso é problema deles – alguns jogadores do Flamengo, não dá para negar que eles têm se entendido (também) fora de campo.
Reparem como um defende o outro e como todos defendem o Imperador. Não me entendam mal: as declarações de Bruno (“Quem nunca saiu na mão numa mulher?”) são deploráveis, sim. Mas o goleiro comprou a briga do Imperador e teve peito para criticar os jornalistas: “Quer notícia? Corre atrás de artista."
A preocupação em preservar o grupo não se restringe às declarações nas entrevistas. Ciente da repercussão estrondosa que um possível tropeço no jogo de sábado causaria na Gávea, o time mostrou comprometimento suficiente para derrotar o Resende sem sofrer os sustos que já se tornavam rotina no Campeonato Carioca.
Comportamento bem diferente dos tempos em que o Flamengo contava com um artilheiro tão eficiente, mulherengo e descompromissado quanto Adriano: Romário. Nos já longínquos anos 90, o baixinho egocêntrico reinava na Gávea e no Rio de Janeiro, mas não havia quem lhe comprasse o barulho. O ambiente era péssimo, os jogadores se dividiam em grupos e o clube acumulava vexames.
Os problemas de Adriano preocupam os torcedores, principalmente agora, após o vice de futebol Marcos Braz revelar que o jogador recorreu à bebida por conta dos problemas com a noiva. Mas, enquanto o restante do elenco mostrar esse carinho por ele correndo dentro de campo, a torcida pode ficar um pouco mais tranquila.
E o teste de fogo será agora, nessa mini-maratona que teremos pela frente, com jogos importantes na Libertadores e no Campeonato Carioca: Caracas (na Venezuela, sem o Imperador), Vasco, Universidad do Chile (no Chile) e Botafogo. Veremos como o Flamengo vai se comportar.
terça-feira, 2 de março de 2010
Anjo negro
Andrade é eterno na história do Flamengo por vários motivos. Enquanto jogou bola, foi craque, defendeu o clube por muitos anos, conquistou títulos, integrou a geração de ouro e marcou o sexto gol na devolução dos 6 x 0 sobre o Botafogo, em 1981. Na condição de técnico, conduziu o clube à conquista do Campeonato Brasileiro de 2009.
Mas um detalhe importante sobre ele me havia escapado por completo: Andrade foi decisivo em quatro dos cinco títulos brasileiros que ganhou pelo Flamengo. Eu sabia do fato, só que não havia juntado as peças, a exemplo de muitos rubro-negros e de todos os jornalistas e veículos esportivos dos quais consigo me lembrar.
Só me dei conta do fato hoje, ao ler entrevista com o técnico na FourFourTwo brasileira, edição de fevereiro, que comprei com atraso. Vejam o trecho referente ao assunto:
“FourFourTwo – Dos seis títulos brasileiros, você esteve em campo em cinco e teve participação direta em quatro. Fale um pouco sobre seu dedo em cada conquista.
Andrade – Em 80, dei o passe para o Nunes fazer o gol da vitória sobre o Atlético-MG (3 x 2) e cortei uma bola que o Manguito atrasou mal para o Raul. O Pedrinho driblou o Raul e apareci dando um carrinho. O Raul disse: ‘Vi uma sombra passando, quando olhei era um anjo negro, o Andrade.’ Em 82, salvei uma bola em cima da linha. Havia dois jogadores do Grêmio, o Renato (Gaúcho) e mais um, e eles iam me jogar com bola e tudo para dentro do gol. Eu me atirei com corpo e tudo para cima da bola para salvar, e até hoje não sei se foi mão (risos). Em 83, não joguei os dois jogos finais (contra o Santos) porque operei o menisco. E, em 87, deu o passe para o Bebeto (o Flamengo derrotou o Internacional por 1 x 0)”.
Legal, não? Faltou apenas a menção ao Hexa, mas obviamente isso não era necessário, dado o contexto da entrevista.
Mas fico em dúvida em relação a 1982. Já observei o lance inúmeras vezes, com o auxílio do meu velho videocassete. E a impressão é que o goleiro Raul salvou o Flamengo ao esticar o braço e dar um tapa na bola – a manga da camisa dele era preta e Andrade é negro, daí a confusão, fora o grande número de jogadores dos dois times dentro da área. Essa versão é confirmada pelo próprio Raul em sua biografia.
Polêmicas à parte, Andrade é ídolo e fim de papo.
***
Não pude ver o jogo da Seleção Brasileira contra a Irlanda. Sei que Adriano teve atuação discreta e foi substituído por Grafite. O que não deve atrapalhar seu sonho de disputar a Copa do Mundo. Kleberson não entrou, mas continua com boas chances de garantir vaga no torneio da África do Sul. Pelos menos, os dois voltam inteiros ao Flamengo.
Foto: Divulgação/Vipcomm (retirada do Estado de São Paulo)
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