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sexta-feira, 21 de maio de 2010
Eliminação merecida (Univ. de Chile 1 x 2 Flamengo)
Defensor, América do México e Universidad de Chile. Essa é a lista dos poderosos adversários, todos clubes de expressão internacional, que eliminaram o Flamengo das últimas três edições da Libertadores das quais o clube participou: 2007, 2008 e, agora, 2010.
Pouco importa que o Flamengo tenha jogado bem hoje e vencido o Universidad de Chile naquele estádio de m*rda em Santiago. Ser desclassificado por esse time é vexame. Vencer apenas um em quatro jogos contra esse time é vexame. Perder no Maracanã para esse time é vexame.
O Flamengo dançou porque não exibe, na Libertadores, a concentração necessária aos jogos da competição, o que aconteceu, nesse ano, desde a primeira fase. E porque espera para mostrar motivação quando a tarefa é muito complicada de reverter, como hoje.
O Universidad de Chile entra para o rol dos times vagabundos que podem tirar onda com o Flamengo. Mas sinto informar aos chilenos que esse grupo não é seleto, pelo contrário. Até o Paraná Clube faz parte dele. Portanto, muchachos, vocês não fizeram nada demais, ok?
Não adianta reclamar da cera adversária, do mole no gol dos caras nem da ridícula tentativa de cavar pênalti do Vinícius Pacheco, dentro da pequena área, no último lance do jogo. O Flamengo foi eliminado precocemente de mais uma Libertadores porque não leva a sério a competição.
Admiro aqueles que têm a capacidade de aplaudir o esforço, a aplicação e a concentração da equipe em Santiago. Mas a minha opinião é outra: esses caras e o técnico Rogério não merecem reconhecimento, pois deixaram para resolver tudo na última hora.
A culpa, claro, não é apenas deles. É mais do clube. Ou melhor, do modo como o Flamengo é conduzido. Ok, tudo bem. Enquanto isso, continuamos a amargar vexames continentais.
sábado, 15 de maio de 2010
Imperador melhorou (Vitória 1 x 1 Fla)
O empate com o Vitória só valeu pelo bom desempenho de Adriano. Impossível adivinhar o que se passa na cabeça do centroavante rubro-negro. Logo após saber que não estava na lista de convocados para a Copa do Mundo, o Imperador passou a treinar com mais afinco, compareceu à Gávea no dia seguinte a uma partida (contra Universidad de Chile) e tem mostrado evolução em campo.
Adriano não foi brilhante. Mas, além do cruzamento para o gol de Vagner Love, fez coisas que não estava fazendo nesse ano: conseguiu uma arrancada seguida de chute logo nos primeiros minutos, deu vários piques, voltou para marcar com frequência e finalmente teve capacidade para girar para cima dos marcadores. Pena que as poças d’água o prejudicaram nessa surpreendente e (nos dois últimos jogos) gradativa melhora.
Se a evolução física de Adriano continuar, o Flamengo poderá depositar ainda mais confiança no jogador no duelo de volta contra o Universidad de Chile, quinta-feira, em Santiago. No entanto, é prudente conter a animação. Feliz hoje, Adriano pode faltar ao treino amanhã, na segunda ou na terça e até mesmo arrumar um bolha no pé.
Sobre o jogo: ensaio para quinta-feira, o duelo do Barradão pode ser útil para Rogério observar e corrigir alguns defeitos. O Flamengo foi melhor no início do primeiro tempo, quando marcou o gol, até o temporal apertar. Só deu para avaliar um pouco o jogo na segunda etapa, com a chuva mais branda. E o Vitória, então, foi melhor. Atacou mais, foi pouco contra-atacado, teve a bola (até onde possível) e bastante espaço no meio.
O Flamengo só ameaçou no final, a partir da entrada de Pet. Mas levou o merecido empate em cobrança de falta - Fierro afobou-se e cometeu infração desnecessária.
Dos dois meias que começaram, Michael foi relativamente bem. Kleberson apareceu pouco. Ainda estou convicto: Pet precisa ser escalado desde o início contra o Universidad de Chile.
***
A frase de jogo é Adriano. Cercado pelos repórteres após o apito final, ele garantiu que não estava muito triste por ter ficado de fora da Copa do Mundo e soltou essa:
“Ainda quero ajudar muito o Flamengo.”
Legal, mas... Ele quer ajudar o Flamengo até quando? Até o fim do contrato? Ou quer permanecer na Gávea até o fim do ano? O clube já o procurou para negociar a renovação?
Mistério.
Foto: GloboEsporte.com
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quarta-feira, 12 de maio de 2010
Vocação para o ridículo (Fla 2 x 3 Universidad de Chile)
O mais novo vexame do Flamengo na Taça Libertadores da América suscita uma série de questionamentos legítimos a algumas máximas relacionadas ao clube, tipo “Deixou chegar, f*deu”, “A camisa joga sozinha” e “O Maracanã é o templo rubro-negro”. Isso tudo só vale, com ressalvas, para jogos contra times brasileiros. O Flamengo de Zico foi exceção nesse quesito. E somente por uma temporada.
Portanto, antes de procurar culpados pelo fracasso, é preciso cabeça no lugar e conhecimentos históricos suficientes para saber que crucificar qualquer um daqueles que esteve em campo é tarefa inglória: o Flamengo, ou pelo menos o Flamengo dos últimos 17 anos, é especialista em protagonizar papelões, independentemente dos jogadores, do técnico, da diretoria e do presidente do momento.
Parêntese: apesar do título do Campeonato Brasileiro de 2009, não custa lembrar que o Flamengo também já deu vexames em nível nacional, como a derrota em casa para o Santo André na final da Copa do Brasil de 2004 e goleadas para clubes como Bahia, Portuguesa, Bragantino, Figueirense e outros de expressividade semelhante e dos quais não me lembro agora.
Então não adianta o Lédio Carmona tentar me convencer ao repetir, a cada segundo da transmissão do SporTV, que o time do Universidad de Chile é bom. Os caras têm alguma qualidade técnica e um treinador inteligente, mas daí a ser um time bom é outra história. Prefiro outra versão: o Flamengo é muito incompetente. Pois não conseguir vencer os chilenos uma única vez em três jogos é brincadeira.
Os gols sofridos pelo time nesses confrontos comprovam a tese, mas vou me ater apenas aos três (três!) de hoje. No primeiro, após cruzamento da direita, a bola passou por David, William e Leo Moura. No segundo, apesar da falta em Bruno, o goleiro já havia furado. No terceiro, a bola cruzada da esquerda percorreu toda a área rubro-negra, com Bruno saindo atrasado.
Pode-se dizer que o Universidad de Chile marcou com eficiência a saída de bola, que se aproveitou do inexplicável nervosismo inicial do Flamengo, que mostrou exemplar tranqüilidade e que, embora não conte com um Adriano, teve mais competência para finalizar. Pode-se dizer tudo isso e não vou discordar. Mas ninguém me tira de cabeça que o Flamengo tinha a obrigação moral de derrotar os chilenos no Maracanã.
O problema não é com esse time nem com esse técnico, embora sejam eles a representar as cores do clube e, merecidamente, a receber as críticas pelos acontecimentos de hoje. O problema é que o Flamengo, em algum momento nos últimos 17 anos, deixou-se impregnar por uma vocação para o ridículo, especialmente no Maracanã, palco dos principais vexames. E a dificuldade para se livrar dela é inacreditável.
***
A frase do jogo é de Bruno, ainda no intervalo da partida, quando começava a buscar explicações para a derrota parcial por 2 x 1:
“O Flamengo é o Flamengo...”
Não vale a pena citar o resto do raciocínio. A primeira oração resume tudo o que tentei dizer lá em cima.
***
É contraditório, mas ainda acredito na classificação para as semifinais. Haja sofrimento.
Fotos e montagem: GloboEsporte.com
domingo, 9 de maio de 2010
Pode fazer falta em dezembro (Fla 1 x 1 São Paulo)
É interessante como quase sempre são agradáveis as partidas entre os dois clubes. Mesmo com equipes mistas em campo, até porque cariocas e paulistas têm no elenco jogadores capazes de suprir a falta de alguns titulares. Mistão por mistão, no entanto, o do São Paulo é melhor. No Flamengo, não há quem supra à altura as ausências de Maldonado, de Leo Moura, de Vagner Love e de Adriano.
Com Rômulo, Toró e Fernando no meio, o Flamengo viu o São Paulo, com jogadores mais técnicos no setor, dominar o jogo. O time atacava pouco, embora Kleberson, ainda correndo atrás da convocação para a Copa do Mundo, fizesse boa partida – aliás, ele poderia mostrar sempre a concentração e disposição de hoje, pois é evidente que sabe jogar bola.
Já Pet, em posição um pouco diferente da habitual por causa da ausência de Love, não estava mal e Dennis Marques, para variar, era nulo – com desconto dessa vez, porque era o único atacante da equipe. O São Paulo criou as melhores chances do primeiro tempo e mereceu o gol no final, apesar da melhora do Flamengo a partir dos 20 e tantos minutos.
Na segunda etapa, o time deu a mesma sorte do duelo com o Corinthians: marcou um gol logo no início, com participação decisiva de Michael, que substituiu Fernando e tornou o time mais ofensivo. No melhor estilo Petkovic, ele lançou Dennis Marques, que livre, concluiu no melhor estilo Dennis Marques: um chute rasteiro e fraco. A bola só entrou porque o superestimado Rogério Ceni mostrou a manjada falta de reflexo, nunca mencionada pela imprensa paulista.
O empate animou o Flamengo, mas o São Paulo ainda teve mais posse de bola durante algum tempo. A situação se inverteria posteriormente, com Juan aparecendo mais para o jogo, Michael eficiente, Petkovic bem até ser substituído e Dennis Marques aceitável. O time perdeu alguns gols, mas foi ameaçado e poderia ter sofrido o segundo. E ficou nisso.
Resta agora esperar a convocação de Dunga, terça-feira, e torcer para que, a depender das decisões do treinador a respeito de Kleberson e de Adriano, isso não afete o desempenho dos dois na quarta-feira, contra o Universidad de Chile.
***
Ainda acho que Pet tem deve ser titular desse time. Mesmo com Kleberson na ótima fase de um jogo e meio e com Michael tentando se recuperar após a boba expulsão no primeiro confronto com o Corinthians.
***
Eis a frase do jogo:
“O atacante tem de ser frio naquela hora, precisa ter cabeça de gelo. A oportunidade apareceu e consegui marcar.”
A declaração poderia ser de Dennis Bergkamp. Mas é de Dennis Marques, publicada no UOL Esporte.
Foto: GloboEsporte.com
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quinta-feira, 6 de maio de 2010
Quartas-de-final, até que enfim (Corinthians 2 x 1 Fla)
Difícil encontrar um rubro-negro que não tenha respirado com alívio quando o árbitro uruguaio Roberto Silvera apitou o fim do primeiro tempo. O placar de 2 x 0 para o Corinthians, por incrível que pareça, ficara barato para o Flamengo.O time era sufocado pelos paulistas, e muito mais por incompetência própria que por mérito do adversário. Sem jogadores com características de tocar a bola e a marcação muito atrás, o Flamengo assistiu o Corinthians jogar e perder gols durante os 45 minutos mais longos do ano.
Nesse quadro assustador, temi pelo futuro de David, que abriu o placar para o Corinthians com um gol contra. No segundo, de Ronaldo, o crédito foi de Dentinho, que cruzou com perfeição. Mas era o jovem zagueiro que estava novamente a marcar o gordo: a senha para a crucificação em caso de eliminação do Flamengo.
Incrível como a equipe melhorou no segundo tempo. Rogério tirou o improdutivo Pacheco, que não tem bola para ser titular, e colocou Kleberson. Em 15 minutos, o apoiador produziu mais e melhor que em cinco meses de temporada. O Flamengo passou a ter um pouco mais de toque de bola e Juan e Leo Moura apareceram para o jogo.
Claro que não dá para desprezar a sorte: o gol rubro-negro logo no início da segunda etapa. Isso faz – e fez – muita diferença no andamento do jogo e nas análises após a partida. O passe para Vagner Love foi de Kleberson, mas bonito mesmo foi o toque de Juan para o apoiador.
O segundo tempo nervoso, mas sem muita correria e lances de gol do Corinthians, reforçou minha impressão a respeito do time de Mano Menezes. Os caras simplesmente não conseguem pôr fogo na partida. Não o fizeram no Macaranã, com um jogador a mais desde o primeiro tempo, nem nessa noite, quando precisavam marcar o terceiro para se classificar.
Na verdade, o Flamengo esteve muito perto de igualar o placar, com o time fechadinho atrás e o contra-ataque funcionando. Leo Moura jogou muito, Kleberson também, Juan foi bem e Vagner Love, um leão, voltava para compor o meio e levava muito perigo na frente – embora, claro, tenha se embolado com a bola algumas vezes, e tentado conduzi-la quando não era o momento. E David se recuperou legal do baque.
Adriano se animou e, no fim, ainda conseguiu levar um zagueiro no corpo e na corrida e dar belo passe para Kleberson, que chutou para fora. Aliás, o Imperador mostrou novamente, em alguns lances, ter mais inteligência que a maioria dos companheiros de time e dos adversários. Sabe segurar a bola, soltá-la na hora certa sem deixar o colega em impedimento, virar o jogo.
Já Bruno... Falhou no segundo gol, fez muita cera (que novidade...) e salvou o time nos descontos, ao defender falta cobrada com perfeição por Chicão. Ainda pegou bem dois perigosos chutes de Ronaldo no primeiro tempo.
Kleberson ganhou moral com Rogério, certamente. Na falta de um meia que resolva, como Petkovic no ano passado, a saída parece mesmo jogar com três volantes e liberar Leo Moura e Juan. Mas com Vinícius Pacheco não dá – e ainda acho que Pet poderia ter começado jogando.
Ah, sim: alguém entendeu porque Rogério trocou Love tão cedo por Fierro? Risco desnecessário.
Ainda há correções a serem feitas, mas o importante foi a conquista da vaga e o fim do fantasma das oitavas-de-final. Torço para enfrentar o Universidad do Chile novamente. Tenho certeza que o Flamengo vai pra cima dos caras com sede de vingança. Até porque, finalmente, os jogadores parecem encarar seus compromissos com seriedade.
***
Inacreditável: o Flamengo aprendeu usar o regulamento de um torneio mata-mata a seu favor.
***
Na falta de algo melhor, a frase do jogo vai para Leo Moura, em entrevista coletiva no vestiário do Pacaembu. Ele disse o seguinte a respeito da torcida do Corinthians, que não deixou os jogadores do Flamengo dormirem na noite anterior ao clássico:
“Acho que foi uma atitude inteligente de jogar fogos na madrugada porque hoje eles não iam soltar mesmo.”
Falou, tá falado.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Finalmente, o verdadeiro Flamengo (Fla 1 x 0 Corinthians)
Vitória com um jogador a menos desde o primeiro tempo, debaixo de chuva que quase estragou a partida, com organização, fibra e atenção de sobra. Pela primeira vez em 2010, o verdadeiro Flamengo mostrou a cara. Foi bonito de se ver. E, no fim das contas, o placar de 1 x 0, com pênalti bem cobrado por Adriano, ficou barato para o Corinthians, que parecia ter tudo a favor após a expulsão de Michael.
O jogo desta noite, no Maracanã, provou que o Flamengo tem time. Bastou a mudança de postura. À exceção óbvia de Michael, todos os jogadores foram bem, com destaque para Willians, David, Ronaldo Angelim, Adriano e Juan e Leo Moura, que, na ausência forçada de um meia de criação, reeditaram os velhos tempos, brilharam individualmente, coletivamente e ainda ajudaram na defesa.
Juan, que não vinha jogando nada, fez sua melhor partida no ano. Tranquilo e seguro, participou de vários lances de perigo e sofreu o pênalti num lance que é sua marca registrada. Quem é rubro-negro ou ao menos acompanha os jogos do time já sabia que ele seria derrubado antes do corintiano Moacir se aproximar.
Leo Moura, um dos poucos que se salvava nas péssimas apresentações recentes, mostrou a velha habilidade e se entendeu perfeitamente com Willians no ataque, especialmente no segundo tempo, quando a chuva deu trégua e foi possível jogar futebol no Maracanã. Willians, aliás, foi aquele dos melhores momentos do Flamengo no ano passado, esperto nos desarmes e com fôlego invejável.
Adriano quase não tocou na bola no primeiro tempo, justamente quando deveria ter sido mais acionado, já que o gramado do Maracanã estava uma piscina. O Flamengo jogou bem nos 45 minutos iniciais, mas não aproveitou tanto a força do Imperador. Na segunda etapa, ele não foi brilhante, mas deixou o gol da vitória e esteve muito a fim de jogo – afinal, são as últimas chances de garantir vaga na Copa do Mundo.
David e Ronaldo Angelim, bem protegidos, faça-se justiça, não falharam e conseguiram segurar o Corinthians: Ronaldo esteve patético, mas é Ronaldo; Dentinho e Roberto Carlos são perigosíssimos. E o mais legal em David é o estilo vibrante, perfeito para os closes das milhares de câmeras de televisão, que o flagraram gritando várias vezes e até pedindo ajuda de Juan na defesa.
As substituições de Rogério (não consigo e acho que não vou conseguir chamá-lo de Rogério Lourenço) foram corretas. A torcida pediu, mas não era jogo para Petkovic, não com Michael expulso e a consequente necessidade de corrida em dobro.
Aliás, Michael, expulso estupidamente após cometer a segunda falta por trás e levar o segundo cartão amarelo, é o destaque negativo da noite. O rigoroso árbitro Carlos Amarilla, do Paraguai, já havia expulsado Willians contra o Universidad Católica, na estreia do Flamengo, com um minuto de jogo. O mínimo que se poderia esperar dos jogadores era conhecer o estilo de arbitragem e segurar a onda.
Sobre o Corinthians: o time não soube aproveitar a significativa vantagem de ter um jogador a mais desde o primeiro tempo. Levou pouquíssimo perigo. Só assustou mesmo nas venenosas cobranças de falta de Roberto Carlos em direção à área e no fim. Mas não dá para brincar com um time que pode se dar ao luxo de tirar Danilo e Dentinho para colocar Jorge Henrique e Iarley. Mano Menezes tem elenco de sobra.
Hoje, foi o Macaranã. Na próxima quarta-feira, será o Pacaembu a ferver. Não dá para desprezar a vantagem, especialmente o fato de o Flamengo não ter sofrido gol. O empate é rubro-negro, derrotas por 2 x 1, 3 x 2 e outras a partir daí, por um gol diferença, também. Mas não se iluda: vai ser foda.
***
A frase do jogo é do técnico Rogério, em entrevista à reportagem da Globo:
“Parabéns pros jogadores, foram guerreiros e honraram essa camisa da melhor forma possível.”
E parabéns do Fla 43 para o ex-zagueiro, que já usou a braçadeira de capitão do Flamengo, pela aula de rubro-negrismo para todo o país.
Ah, meu irmão acaba de contar que ele agradeceu ao Andrade pela montagem da equipe e mencionou a conquista do Hexa pelo Tromba.
Começou bem.
***
O árbitro Carlos Amarilla expulsou Michael corretamente, mas errou ao não mandar para o chuveiro o lateral Roberto Carlos. Ele já recebera cartão amarelo por reclamação e, no fim do jogo, meteu malandramente a mão na bola para levar vantagem numa jogada. Mas o paraguaio preferiu advertir Fierro com o amarelo, só porque o chileno deu um biquinho na bola com o jogo parado.
Fotos: GloboEsporte.com
quinta-feira, 22 de abril de 2010
O mais novo vexame (Fla 3 x 2 Caracas)
Poucas vezes as vaias da torcida aos jogadores foram tão justas.
Poucas vezes os gritos de “time sem vergonha” foram tão bem aplicados.
Mesmo que, muitas vezes, o Flamengo tenha fracassado em jogos fáceis como o desta noite.
Não há desculpa, tampouco absolvidos: ganhar por dois gols de diferença era tarefa simples. A gritante fragilidade do time do Caracas foi escancarada para todo o Brasil.
O Flamengo merece, e não só por hoje, a situação desconfortável na Libertadores a ponto de ser obrigado a secar times de outros grupos. Eis alguns porquês, sem entrar nas confusões extra-campo:
* O time levou nove gols em seis jogos.
* Não conseguiu vencer o limitado Universidad de Chile nenhuma vez.
* Andou em campo no segundo jogo contra o Universidad Católica.
* Sofreu um gol de placa, no melhor estilo Maradona e Messi, de um time da Venezuela.
Para não ser injusto: houve luta. Mas perder tantos gols e falhar grosseiramente na defesa, como no primeiro gol do Caracas, só podia dar no que deu.
Andrade também vacilou, pois demorou a colocar Petkovic quando o jogo implorava pela entrada do sérvio, com tantos espaços no gramado do Maracanã.
Acho que nenhum rubro-negro imaginava que teria de torcer pelos resultados de dois ou três grupos para saber se o Flamengo consegue vaga na próxima fase. A quinta-feira (ih, já é quinta) será difícil.
Melhor definir quem vai sobreviver à caça às bruxas e arrumar logo a casa para o Campeonato Brasileiro.
domingo, 18 de abril de 2010
A farra acabou (Fla 1 x 2 Botafogo)
O Flamengo precisa rever tudo até quarta-feira, contra o Caracas, no Maracanã, derradeira chance de garantir a classificação para a próxima fase da Libertadores. O time ainda não jogou 30% do que pode na temporada, não encontrou a formação ideal e demora demais para entrar no clima das partidas. O desastre só não é completo porque ainda resta o torneio continental – que, infelizmente, nunca foi e nem será prioridade no clube.
Nos primeiros 25 minutos de jogo, o Flamengo já havia recebido quatro cartões amarelos, graças ao péssimo estilo de arbitragem do sr. Gutemberg de Paula Fonseca. Ele foi coerente, não prejudicou nenhum dos dois times, apitou corretamente os pênaltis, mas é temerário distribuir cartões após qualquer falta boba cometida no centro do gramado. No segundo tempo, quando temperatura do jogo subiu, ele quase se complicou por isso.
Ao contrário dos jogos anteriores, a marcação do Flamengo era mais sólida e confiável. Mesmo assim, o Botafogo foi melhor na primeira metade da partida. Quando fez 1 x 0, com gol de pênalti de Herrera, o time de Joel Santana era mais organizado e levava algum perigo nos contra-ataques, enquanto os rubro-negros não ameaçaram o gol de Jefferson.
A partir daí, Andrade tirou Toró e colocou Vinícius Pacheco em campo, e o time melhorou. Em desvantagem no placar, passou a buscar o gol, mas somente pelas laterais do campo, principalmente com Leo Moura, pela direita. O empate veio por esse lado, no finalzinho, com boa jogada e cruzamento de Michael, que resultou no gol de Vagner Love depois de confusão na área, com participações de Adriano e David.
No segundo tempo, Pacheco foi a melhor opção, sempre pela esquerda. Ele atacava com eficiência até cair de rendimento, quando passou a cavar pênaltis e a ser desarmado com frequência. Aos 25 minutos, após cobrança de falta inexistente, o experiente Maldonado cometeu pênalti infantil em Herrera. Recebeu o segundo cartão e foi expulso – graças ao critério do árbitro – sem ter cometido uma falta que justificasse qualquer advertência.
Daí para o final, o Flamengo partiu para o abafa. A situação era totalmente desfavorável: empatar, empurrar o jogo para os pênaltis, levar a melhor nas cobranças e garantir o direito de disputar mais dois jogos. A melhor chance foi de Adriano, que desperdiçou pênalti, defendido por Jéfferson. Fierro e Pet ainda entraram na partida (o sérvio muito tarde, aos 40) e a equipe apertou, mas não deu. Botafogo campeão após três vices consecutivos. A farra acabou, a crise aumenta.Tomara que dê tempo de juntar os cacos até quarta-feira.
***
A frase do jogo é de Leandro Guerreiro, em entrevista à reportagem da Globo, no intervalo da partida, logo após o Botafogo sofrer o gol de empate:
“Está difícil, mas a gente vai ser campeão hoje.”
O volante ainda repetiu a afirmação, enfatizando o espírito do Botafogo nesse campeonato. Nem pareceu o Leandro Guerreiro de semblante cabisbaixo e derrotado de outros anos. O grande mérito dos caras é conhecer e aceitar as próprias limitações. Isso lhes deu força e capacidade de aplicação para os jogos mais difíceis que disputaram. O autosuficiente Flamengo podia rezar pela mesma cartilha.
Foto: GloboEsporte.com
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Eterno papelão (Universidad Católica 2 x 0 Fla)
Uma decisão nesse sentido melhoraria a vida dos torcedores, fartos dos vexames continentais. Não é fácil ver o time disputar o jogo mais importante do ano em ritmo de treino e perder para um adversário que nem sequer mostrou interesse em vencer a partida. O repórter Eric Faria, da Globo, já cantara a pedra ao contar que, na véspera do duelo, em reunião com os cartolas rubro-negros, os dirigentes chilenos disseram não ligar para a pelada desta noite.
Tal comportamento era facilmente percebido em campo. E nem diante de um adversário descompromissado, com remotas chances de classificação, o Flamengo conseguiu apresentar algo parecido com futebol. O primeiro gol do Universidad Católica, logo aos dois minutos, foi ridículo. Ronaldo Angelim e Álvaro foram no mesmo jogador e ainda conseguiram perder a disputa pelo alto. E Willians não acompanhou Damian Diáz, que deslocou Bruno.
O gol não acordou o apático Flamengo. O time não tinha meio de campo e era incapaz de criar jogadas de ataque, tamanha a distância dos homens de frente para o resto do time. Os chilenos tocavam a bola com facilidade constrangedora. Num lance humilhante, dois jogadores adversários tabelaram de cabeça na intermediária e um deles, Díaz, fez fila na defesa rubro-negra até chutar errado.
O segundo gol foi o retrato do jogo: saiu sem querer, após cruzamento de Silva que entrou direto, aos 45 minutos. No segundo tempo, substituições. E o Flamengo até tentou despertar, mas já era tarde. Ainda assim, poucos lances de perigo foram criados. E o time não encontrava no campo de ataque a mesma facilidade que oferecia ao Universidad. Ah, não vale a pena comentar as atuações dos atletas rubro-negros, pois ninguém jogou nada.
Só resta torcer para o time derrotar o Caracas, na próxima quarta-feira, por resultados favoráveis de outros grupos e se preparar para a possível necessidade de aumentar o saldo gols. Como já estou vacinado, arrisco um prognóstico, ainda sem fazer contas: vitória dramática no Maracanã, mas seguida de eliminação. E os jogadores deixarão o gramado sob aplausos, pois terão mostrado espírito de luta. O filme de 2007 (alguém se lembra do Defensor?) repetido.
***
Abro exceção e troco a frase do jogo pelo discurso do jogo. Saíram da boca de Bruno as belas palavras que comoveram a nação rubro-negra e os demais amantes do futebol. Eis alguns trechos da entrevista do goleiro ao repórter Eric Faria, logo após a partida:
“Às vezes, o time tem tanta qualidade que acha que pode resolver o jogo a qualquer momento. Aí, quando acorda, o resultado já está feito.”
“Isso (derrota ridícula) acontece às vezes quando a confiança está elevada.”
“Nem sempre o time mais forte vence. Se isso acontecesse, o futebol não teria graça. É por isso que o futebol é interessante.”
Só faltava isso para completar a noite.
Foto: GloboEsporte.com
domingo, 11 de abril de 2010
O playground do Flamengo (Fla 2 x 1 Vasco)
Seria chato perder para o Vasco e ver os caras celebrando o campeonato particular de que tanto falava o sr. Eurico Miranda nos anos 1990. Sem contar que uma derrota aumentaria assustadoramente a pressão sobre o Flamengo, pois restaria ao clube apenas a disputa da Libertadores, e com a obrigação da vitória nos dois jogos restantes para garantir a classificação sem sobressaltos.
Por outro lado, a classificação para a final da Taça Rio pode tirar o foco do Flamengo do que realmente importa. Não será surpresa se os jogadores entrarem em campo diante do Universidad Católica, quarta-feira, no Chile, com a cabeça no jogo do próximo domingo, contra o Botafogo. Todos já vimos esse filme várias vezes.
Sobre a partida: nível técnico abaixo da crítica, dura de assistir até para os torcedores dos dois clubes, apesar dos vários lances de emoção. Impressionante como o Flamengo não tem jogado absolutamente nada nesta temporada, com raras exceções. Ter apenas 30% de posse de bola no primeiro tempo, diante do limitado Vasco, é algo preocupante.
O melhor em campo foi Leo Moura, apesar dos dois gols de Vagner Love. O lateral-direito rubro-negro joga e tem jogado muita bola. Hoje, reinou no gramado e voltou a ganhar com folga o duelo com Márcio Careca. A fase é tão boa que a única presepada cometida por ele – ser desarmado na defesa ao tentar um drible – não resultou em nada, pois o gol adversário foi anulado.
***
A frase do jogo é do canhotinha Gérson, da CBN:
“O Flamengo mereceu a vitória, mas pelo que o Vasco não fez em campo.”
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O copyright do título do post vai para o compositor e escritor Aldir Blanc, autor do livro Vasco, a Cruz do Bacalhau, escrito em parceria com José Reinaldo Marques.
Há um capítulo homônimo na obra, relato interessante sobre o óbvio não admitido por 99% dos integrantes da turma fuzarca – nem todos têm a grandeza (sem ironia) de Blanc.
Fica a homenagem do Fla 43.
Foto: GloboEsporte.com
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Sempre os velhos erros (Fla 2 x 2 Univ. de Chile)
Escrevo com base no desabafo do meu irmão, que viu a partida e para quem liguei assim que a obrigação deu trégua. Dois minutos de conversa foram suficientes para perceber que o Flamengo não venceu graças a um problema crônico, que se arrasta desde que acompanho futebol e independe do técnico e dos jogadores que estejam a envergar o Manto: a incapacidade de manter a concentração durante 90 minutos - ou 91, ou 92, enfim.
Virar um jogo complicado e permitir, em casa, o empate adversário aos 46 minutos do segundo tempo é indesculpável. Especialmente se o rival é inferior tecnicamente, como 99,9% dos times não-brasileiros que disputam a Libertadores. Principalmente se as aspirações do clube são elevadas. É por isso que o Flamengo, até hoje, não emplacou como time copeiro. Essa desatenção já foi fatal em muitos mata-matas ao longo dos últimos 20 anos.
Menos mal que a competição ainda está na fase grupos. Há chances. Mas é preocupante o fato de o Flamengo não ter vencido esse time após dois confrontos. Lá no Chile já ficou evidente que bastava apenas forçar o jogo e errar menos para arrancar no mínimo um empate. E a equipe perdeu.
Como o vacilo já está consumado, o único jeito, agora, é olhar para frente. A pressão será quase insuportável. Mas acredito que o primeiro passo, depois de um puxão de orelhas bem dado, é escalar um time misto ou reserva contra o Vasco. Abandone-se o Campeonato Carioca. Abraço. Como escrevi há dois dias aqui, o Flamengo precisa aprender a priorizar a Libertadores. Pois a hora chegou.
Foto: GloboEsporte.com
domingo, 4 de abril de 2010
Grata surpresa no meio (Friburguense 0 x 3 Fla)
Este aí não jogou nada. O destaque foi Michael.
A grata surpresa da tarde foi o apoiador Michael, ex-Botafogo e até então encostado. Ele tem desenvoltura, bom passe e personalidade. Participou ainda dos três gols do Flamengo: bateu a falta que resultou no primeiro, de Ronaldo Angelim, cavou o pênalti batido por Denis Marques (segundo) e iniciou a jogada do gol contra do zagueiro Wallace.
Michael também convenceu jogando um pouco mais adiantado, após a substituição de Ramon por Rômulo. De seus pés saíram alguns bons contra-ataques, como o do terceiro gol. Apesar da vasta concorrência, o atleta parece ter futebol para brigar por espaço. Bom para Andrade.
Vale ainda o registro: o time de reservas do Flamengo cedeu menos espaço ao adversário e levou menos sustos que a equipe titular. O único lance que me gelou a espinha foi a queda esquisita de Maldonado. O chileno parecia ter torcido ou quebrado alguma coisa, mas se levantou e voltou para o jogo. Ufa.
***
A frase do jogo é do comentarista Marcelo Rodrigues, durante transmissão do PFC:
“O Flamengo já tem um grande goleiro, caso o Bruno deixe o clube. Para o bem do futebol brasileiro”.
O entusiasmado Rodrigues referia-se ao jovem Marcelo Lomba. Menos, Rodrigues. Menos.
Foto: GloboEsporte.com
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domingo, 28 de março de 2010
Protocolo cumprido (Fla 2 x 1 América)
A meu ver, porém, a péssima apresentação rubro-negra não é motivo para irritação. O Flamengo fez apenas o suficiente para garantir a vaga nas semifinais da Taça Rio e não dar margem para os torcedores do Vasco, interessados no resultado, reclamarem de corpo mole.
Foi até legal ver o time sair em desvantagem no placar logo nos primeiros minutos de partida, pois deu para ouvir, na transmissão da Globo, a heróica e esperançosa torcida do América cantando o hino do clube.
A únicas jogadas do Flamengo no primeiro tempo aconteciam pela direita, com tramas entre Vinícius Pacheco e Leo Moura. No mais, a equipe não se movimentava, facilitava a marcação adversária e tomava sufoco.
O gol de empate surgiu após jogada despretensiosa: bola quicando na intermediária, toque de cabeça de Adriano para Vagner Love, que arrancou e acabou derrubado na área. O Imperador, sem paradinha, deslocou o goleiro e fez 1 x 1.
Um parêntese necessário: Toró, que completou hoje 150 jogos com a camisa do Flamengo, levou um cartão amarelo aos 17 minutos do primeiro tempo. E olha que ele acabava de voltar de suspensão. Difícil de aturar.
No segundo tempo, o América seguiu pressionando e perdendo gols. Só parou quando Jones, o homem que criava as jogadas do time, foi expulso burramente ao cometer um torozada. Ele entrou com a sola da chuteira por cima da bola e quase partiu ao meio o tornozelo de Willians.
Andrade, então, sacou Toró e colocou Petkovic. Mas o Flamengo não melhorou muito, mesmo com mais espaços em campo. Fez o segundo gol perto do final do jogo, em cabeçada de Vagner Love. Gerson, do América, ainda foi expulso.
Além de garantir o Flamengo nas semifinais da Taça Rio, o resultado serviu para confirmar a estatística: a equipe não perde quando Adriano ou Love marcam um gol.
***
Não sei qual será o fim da novela Petkovic, mas tenho a impressão de que o melhor substituto do sérvio atende pelo nome de Ramon. Tratarei sobre o assunto durante a semana.
***
A frase do jogo é de Júnior, durante transmissão da Globo:
“O Flamengo não conseguiu, mesmo com um homem a mais, criar muitas jogadas. Deveria ter conseguido."
Concordo com o Leovegildo, embora eu seja incapaz de me irritar com a maioria dos jogos do Campeonato Carioca.
Foto: GloboEsporte.com
quarta-feira, 24 de março de 2010
Peladinha útil (Fla 3 x 1 Tigres)
Claro que não foi grande coisa. O adversário é muito fraco. E o Flamengo, embora dominasse a partida desde o início, parecia conformado e quase não criava chances de gol. Era Willians, por exemplo, que chegava à linha de fundo pela direita – e não Leo Moura.
O time precisou sair atrás no placar para Andrade mudar o posicionamento e os jogadores despertarem: no gol de empate, Kleberson - deslocado do lado esquerdo para o direito - enfiou para Leo Moura, que cruzou na cabeça do Imperador.
No segundo tempo, o Flamengo teve a posse bola, disposição, toque fácil, agradável e eficiente e jogadas pelos dois lados do campo. Vinícius Pacheco entrou bem no lugar de Petkovic, discreto no Engenhão novamente vazio.
O segundo gol foi o ponto alto da pelada. Bruno iniciou contra-ataque ao esticar com a mão para Juan. O lateral tocou de lado, de primeira, para Adriano, que arrancou e devolveu o passe. Já perto da área, Juan passou para Vagner Love, que cortou o zagueiro e fez o golaço.
No terceiro, valeu a autocrítica de Vinícius Pacheco. Livre diante do goleiro, preferiu não arriscar. Viu o Imperador chegando e entregou-lhe a bola. Melhor assim.
Sobre o Imperador: eu já tinha achado Adriano menos pesado contra o Botafogo. Hoje, ele correu um pouquinho mais, como no segundo gol e numa jogada em que tentou fazer fila, e mostrou certa mobilidade. A perseguição da imprensa, pelo visto, tem sido útil. O homem quer jogo.
Já Vagner Love deixou o dele, perdeu dois bisonhamente e se atrapalhou bastante com a bola, como tem acontecido nos últimos jogos. Pode melhorar.
É nítida a diferença entre Maldonado e Toró. Basta pensar o seguinte: você notou o chileno em campo? Poucas vezes, com certeza. Torozinho, se estivesse no gramado, seria notado o tempo inteiro, a dar carrinhos, a correr atrás dos adversários e a receber cartões desnecessários.
***
A frase da noite é do comentarista André Loffredo, do Sportv, sobre o segundo tento rubro-negro:
“Foi um gol belíssimo. Um típico gol dessa equipe do Flamengo”.
Fica a esperança de que o time coloque em prática a fluência de jogo mostrada hoje em partidas mais difíceis. Qualidade não falta.
Foto: GloboEsporte.com
domingo, 21 de março de 2010
Houve evolução (Botafogo 2 x 2 Fla)
Pois há dois pontos no clássico que me deixaram satisfeitos, embora com ressalvas. Primeiro: o Flamengo jogou melhor que nas últimas três partidas. Segundo: Adriano me pareceu menos pesado, participou bastante do jogo e marcou os dois gols rubro-negros – p. da vida com a perseguição que tem sofrido ao longo deste mês, o craque deixou o gramado novamente sem falar com os jornalistas.
O Flamengo desta noite teve atuações mais inspiradas que na derrota para o Universidad de Chile, pela Libertadores. Além de Adriano, gostei de Kleberson, que ajudou na criação de várias jogadas, inclusive a que resultou no primeiro gol do Imperador. Com o retorno de Petkovic, o time ganhou massa cinzenta no meio de campo, embora o sérvio não tenha sido brilhante. Vagner Love lutou bastante como sempre e até incomodou, mas errou demais. E Bruno quase pegou outro pênalti.
Apesar disso e de atuações razoáveis de outros jogadores, o Flamengo pecou novamente na saída de bola. O Botafogo adiantava a marcação, o que obrigou Álvaro e Fabrício a darem inúmeros chutões para frente. A maior parte dos rebotes também ficou com o adversário, melhor posicionado e com a defesa atenta a qualquer movimentação rubro-negra.
O Flamengo deu liberdade ao Botafogo durante boa parte do jogo – eles dominaram o primeiro tempo - e falhou atrás no segundo gol alvinegro, de Herrera, já na segunda etapa. Os volantes, apesar de atrasados em muitos lances, desarmaram com frequência, mas Toró teve dificuldade para acompanhar o habilidoso Caio – no segundo tempo, cabeça-de-área foi designado, já com um cartão amarelo, para colar no jogador
O empate no fim foi resultado mais do abafa que propriamente do jogo coletivo, apesar da evolução do time. Até porque Joel recuou o Botafogo, esperando a oportunidade de matar o Flamengo num contra-ataque, o que felizmente não aconteceu.
Não concordei com duas substituições do Andrade. A de praxe, quando sacou Pet para colocar Vinícius Pacheco, pode ter acontecido pelo cansaço do sérvio, pois o ritmo do jogo foi forte. Mas não entendi a troca de Kleberson, eficiente no clássico, por Ramon, que não comprometeu.
Ah, sim, o público no Engenhão foi lamentável: apenas 9.074 pessoas (6.707 pagaram ingresso).
***
Botafoguense nenhum tem o direito de reclamar de arbitragem em jogos contra o Flamengo. No clássico da Taça Guanabara, o árbitro Luís Antônio Silva dos Santos desexpulsou (sic) o volante Fahel, que recebera merecido cartão vermelho.
Hoje, o sr. Wagner do Nascimento Magalhães assinalou pênalti de Éverton Silva em Lúcio Flávio após falta cometida fora da área. Joel Santana, inacreditavelmente, ainda reclamou da arbitragem ao fim da partida.
Por isso, a frase da noite é de Renato Maurício Prado, durante o programa Troca de Passes, do Sportv:
“Se fosse ao contrário, a gente ia ter chororô a semana inteira.”
Palavras óbvias, mas verdadeiras.
Foto: GloboEsporte.com
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quinta-feira, 18 de março de 2010
Que sirva de lição (Univ. de Chile 2 x 1 Fla)
Alguém peça ajuda aos universitários ou à Datafolha para descobrir quantos passes errou o Flamengo e quantos desarmes sofreu o time nesta noite. Kleberson, Rodrigo Alvim, Vagner Love, Leo Moura, Juan, Adriano... Ninguém se salvou. O segundo gol chileno, aliás, surgiu a partir de uma bola perdida por Alvim, após Fabrício sair jogando na fogueira. No prosseguimento do lance, Bruno, heroi contra o Vasco, engoliu um frango – não acho que ele tenha falhado no primeiro gol.
O Flamengo também pagou o preço pela falta de ambição. Desde o primeiro tempo, o Universidad cedia espaços convidativos aos jogadores rubro-negros. Mas o time voltou a mostrar a característica bem apontada pelo técnico Gerardo Pelusso, em entrevista reproduzida aqui no Fla 43 antes da partida: o Flamengo joga muito tranquilo e acha que vai resolver o jogo a qualquer momento. Dessa vez, porém, ao contrário das vitórias contra Caracas e Vasco, nenhum craque decidiu.
E não eram apenas espaços que o Universidad oferecia ao Flamengo. O Estádio Monumental não estava lotado, pois a carga de ingressos colocada à venda era menor que a capacidade do local, uma medida preventiva contra um possível terremoto. Os torcedores chilenos cantavam o tempo inteiro, mas não havia aquele clima hostil bastante comum em duelos sul-americanos. O jogo não ficou quente para valer em nenhum momento.
O Flamengo perdeu a chance de voltar ao Brasil com pelo menos um empate e a liderança do grupo garantida ao fim do turno. Talvez os auto-suficientes jogadores não enxerguem isso, mas essa derrota pode fazer muita diferença mais à frente. Até porque existe risco de tropeço nos dois próximos jogos, contra o próprio Universidad de Chile e contra o Caracas, ambos no Maracanã. O time comandado por Andrade é superior aos dois adversários, mas não pode se dar ao luxo de falhar tanto.
***
Vinícius Pacheco não tem rendido nos últimos jogos. Carrega demais a bola e cria pouco. Pet entrou e melhorou o time, em parte pela qualidade, mas também porque o Universidad de Chile vencia por 2 x 1 e já havia recuado para garantir o placar. Andrade poderia promover a volta do sérvio. De preferência, no clássico de domingo contra o Botafogo.
Ah, sim: a atuação de Kleberson foi bizarra.
***
A frase da noite é do narrador Luís Roberto, da Globo, que dirigiu a seguinte pergunta ao comentarista Júnior durante a transmissão:
“Você viu o tamanho do instrumento?”
Tudo bem, ele se referia ao enorme bumbo em poder da hinchada chilena. Mas poderia ter voltado para casa sem essa.
Foto: GloboEsporte.com
domingo, 14 de março de 2010
Vitória não esconde defeitos (Fla 1 x 0 Vasco)
O talento decide: Bruno acabou com Dodô
A facilidade com que os jogadores do Vasco chegavam à área do Flamengo, no Maracanã, era impressionante. A dificuldade de marcação rubro-negra já ficara evidente em outros jogos, o que nos obriga a enfrentar os fatos: apesar dos bons resultados, o Flamengo de 2010 gosta de viver perigosamente. A importante vitória no clássico não escondeu os defeitos da equipe.
Quando falo em marcação, não me refiro apenas à dificuldade provocada pela ausência de Maldonado e pela venda de Aírton. O problema é coletivo. O Flamengo tem o hábito de apenas cercar o adversário, em vez de marcá-lo em cima e fechar-lhe os espaços, como fez o Vasco durante quase todo o jogo.
Sorte que o Flamengo tem jogadores talentosos o suficiente para resolver jogos e espantar crises. Numa noite em que Adriano, apesar do gol de pênalti, pouco apareceu, e que Vagner Love não acertou quase nada, Bruno brilhou ao pegar dois pênaltis de Dodô. Nosso goleiro tem lá alguns problemas pessoais e perde oportunidades de ouro de ficar calado, mas agarra demais. Ainda bem.
Andrade deve manter o sinal amarelo ligado. O time do Vasco não é lá essas coisas e nem sempre Bruno vai dar conta de fechar o gol. O técnico precisa entender porque o Flamengo não conseguiu nem contra-atacar, quando deveria ter matado o jogo como fez na última quarta-feira, contra o Caracas.
Aliás, dos atletas mais ofensivos do time, Leo Moura, que tem jogado muito, e Juan, que não tem jogado tanto, foram os melhores. O lateral-direito, além da categoria habitual, manteve o perigoso Márcio Careca quietinho lá atrás, sem atacar, preocupado com a defesa.
Já o lateral-esquerdo voltou a aparecer no ataque com eficiência, a cavar e sofrer faltas, a incomodar os rivais, embora tenha dado alguns moles no primeiro tempo. No segundo, levou uma cotovelada de Rafael Carioca e um carrinho por trás de Élder Granja. Nenhum dos dois foi expulso. Carioca não recebeu nem o cartão amarelo.
E os vascaínos não têm mesmo do que reclamar. Além da complacência da arbitragem com a violência de Carioca e Granja, o time teve dois pênaltis (bem marcados) a seu favor. E, em vez de reclamar do polêmico pênalti cobrado pelo Adriano, que resultou no gol do Flamengo, deveriam lembrar que Márcio Careca já havia derrubado Leo Moura no primeiro tempo, mas o árbitro Péricles Bassols (RJ) não marcou nada.
***
Assisti o jogo pelo Sportv. Paulo César Vasconcelos não foi muito bem nos comentários, mas soltou a frase da noite:
“Ninguém perde dois pênaltis num Flamengo x Vasco impunemente.”
Eis o drama do jogador do futebol: endeusado pelos vascaínos no primeiro turno, Dodô foi xingado pela própria torcida. A semana vai ser quente em São Januário.
Foto: Agência Lance
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quinta-feira, 11 de março de 2010
Love é gente grande (Caracas 1 x 3 Fla)
Não fosse Love e eu estaria escrevendo agora sobre o afobado, inseguro e imprudente Toró, que transformou num inferno um jogo que prosseguia tranquilo ao ser expulso, aos 8 minutos do segundo tempo.
Love mostrou àqueles ainda descrentes em seu futebol que tem bola, personalidade e cojones, combinação fundamental para qualquer aspirante a ídolo do Flamengo. Faltava a ele uma grande apresentação num jogo da Libertadores - o Caracas não perdeu em casa na edição do ano passado.
Destaque também para Bruno, que fechou o gol e fez aquela cera básica, necessária para esfriar o ímpeto adversário. E para Léo Moura e Kleberson, que jogaram muito e esbanjaram concentração e tranquilidade nos momentos críticos.
E atenção para Rodrigo Alvim, que entrou na função de volante ao substituir o lesionado Fernando e fez o gol que sacramentou a vitória. Ele é sombra para Juan, na lateral-esquerda, e agora para os volantes, ao menos para a dupla escalada na Venezuela.
Andrade precisa ter uma conversa séria com Toró. O outrora xodó de Joel Santana está sempre mal colocado, a correr atrás dos adversários, e exibe defeitos gritantes a cada jogo. O cartão amarelo que levou no primeiro tempo foi imperdoável.
Willians foi expulso infantilmente na primeira rodada, contra o Universidad Católica, mas tem crédito e espero que tenha aprendido a lição. É difícil suportar dois jogos com volantes a fazer burradas. Ainda bem que Maldonado se recuperou da lesão e já pode voltar.
A vitória deixa o Flamengo na liderança do grupo e aplaca a crise fabricada após o barraco envolvendo o Imperador. Espero que Adriano enfrente o Vasco, domingo, e ajude o time a superar Universad do Chile e Botafogo. Precisaremos dele nesta mini-maratona. Se não der, temos Vagner Love.
Foto: GloboEsporte.com
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domingo, 7 de março de 2010
O batedor de faltas (Resende 0 x 4 Fla)
Mas, não. O sérvio ainda entrava em campo naquele momento. Era Léo Moura o autor da batida, perfeita como aquela, dele mesmo, da vitória sobre os chilenos do Universidad Católica, na estreia rubro-negra na Libertadores. O lateral já acertara uma ou outra com a camisa do Flamengo, mas nada capaz de inspirar confiança na torcida. Agora parece embalar de vez, o que é interessante, especialmente por conta da situação de Pet.
Esses dois minutinhos foram tudo o que vi de Resende x Flamengo. Não me arrependo: tenho tirado uma pequena lição a cada pelada deste Campeonato Carioca.
Foto: Fábio Castro/Agif/AE (retirada do Uol Esporte)
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quinta-feira, 4 de março de 2010
O futebol de Ramon (Fla 2 x 0 Madureira)
Ramon é o cara à direita
Resolvi encarar a partida e já estava profundamente arrependido quando Andrade, aos 20 minutos do segundo tempo, substituiu Fierro por Ramon. Candidato a substituto de Petkovic, o meia já mostrara algo interessante nos parcos minutos que teve contra o Macaé, quando estreou: foi com ele que Vágner Love tabelou para fazer um dos gols do jogo.
Contra o Madureira, deu para avaliar um pouco melhor o futebol de Ramon, descontada a fragilidade do adversário. O meia mostrou habilidade no drible e (novamente) facilidade para tabelar. E deu o passe para o gol de Vágner Love, que garantiu o 2 x 0 no placar no dia do aniversário do Zico.
Confiram os lances de Ramon no Maracanã:
20 minutos: dribla adversário na ponta esquerda e sofre falta. Jogador do Madureira leva cartão amarelo.
21 minutos: inicia tabela com Fabrício, mas o lance não leva perigo.
21 minutos: dribla adversário pela direita e sofre falta.
26 minutos: em rebote de falta cobrada na área por Juan, chuta por cima, longe do gol.
33 minutos: tabela com Vinícius Pacheco na intermediária. O companheiro desperdiça o lance.
34 minutos: é adiantado para o ataque após a entrada de Petkovic no lugar de Pacheco.
38 minutos: desarma adversário na defesa e inicia jogada com Léo Moura. Lance não resulta em perigo.
43 minutos: recebe de Vágner Love no bico da área, tenta fazer o pivô e cai no chão.
43 minutos: dribla dois adversários pela direita e dá passe em profundidade para Vágner Love, que chuta de esquerda e faz um golaço.
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Foi o volante Fernando quem abriu o placar, após falha do goleiro do Madureira em cobrança de escanteio. O cabeça-de-área já tem três gols no Campeonato Carioca.
Foto: Vipcomm (retirada do UOL Esporte)
NR: faltou acrescentar um detalhe, o que faço agora pela manhã. Ramon não está inscrito na Libertadores, mas teremos clássicos contra Vasco e Botafogo pelo Campeonato Carioca. Enfim, obstáculos na caminhada pela Taça Rio e pelo título estadual. Serão testes interessantes para o jogador, caso Andrade pense em aproveitá-lo nestas partidas.
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