sexta-feira, 2 de abril de 2010

Haja saco



O assunto “Taça das Bolinhas” voltou à tona ontem, via CBF.

Ora, qualquer que seja o destino do troféu, não fará muita diferença.

Se o Flamengo recebê-la, a freguesia continuará a considerar o Sport o campeão brasileiro de 1987.

Se o São Paulo recebê-la, os rubro-negros continuarão a considerar o Flamengo o campeão brasileiro de 1987.

A única mudança é que haverá mais munição de um lado ou de outro – além do chilique de São Paulo e de Sport caso a taça vá para a Gávea.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Quero ver Gil


Gil é autor de célebre frase que entrou para o folclore do futebol brasileiro. O atacante comemorava o título mineiro de 2006 pelo Cruzeiro quando travou o seguinte diálogo com um repórter de rádio, ainda no gramado:

Repórter: Vale tudo, Gil? Vale tudo, Gil? Até o torcedor invadir o campo, tirando a roupa de vocês? Vale tudo?

Gil: Só não vale dar o c*! Mas o resto, vale tudo.

Pois Gil, revelação do início do século XXI, Bola de Prata da revista Placar pelo Corinthians, em 2002, será titular do time de reservas do Flamengo que enfrenta o Friburguense, domingo, pelo Campeonato Carioca.

Sempre gostei do futebol de Gil. Desde que chegou à Gávea, tenho curiosidade em ver o que o atacante poderia fazer com a camisa rubro-negra, apesar das passagens apagadas por Botafogo e Internacional, últimos clubes antes antes do Flamengo.

Mas a única lembrança nítida que tenho de Gil no clube é péssima: um gol perdido bisonhamente naquele 1 x 0 sobre o Botafogo, no segundo turno do Campeonato Brasileiro do ano passado, no Engenhão, quando Adriano resolveu a parada.

De acordo com o jornal Correio Braziliense, o atacante-filósofo saiu aplaudido do jogo entre Flamengo B e Brasília, na noite de quinta-feira da última semana, num vazio Mané Garrincha, na capital federal.

Pode parecer maluquice, mas estou ansioso ver Gil atuando nesse joguinho diante do Friburguense. Aliás, Gil e Ramon, este último pouquíssimo aproveitado por Andrade.

Vai ser um domingo bacana.

quarta-feira, 31 de março de 2010

O show do intervalo, o Flamengo e a freguesia


Quem assiste aos jogos do Campeonato Carioca pela Globo deve curtir bastante o intervalo das partidas. Nesse momento, a emissora exibe o quadro Aconteceu no Estadual, que relembra episódios marcantes do torneio, sempre contados a partir do ponto de vista dos protagonistas dos fatos.

Como tenho o hábito de acompanhar o Flamengo pelo Pay-Per-View do SporTV, só tive a oportunidade de conferir o quadro no último domingo, durante a transmissão da vitória rubro-negra por 2 x 1 sobre América, no vazio Engenhão.

Pois gostei bastante do que vi, e nem tanto pela aposta correta em valorizar as boas histórias do Campeonato Carioca - há quadro de formato semelhante no intervalo dos jogos da Libertadores, a relembrar inesquecíveis batalhas continentais. O que me agradou em particular foi o acerto da emissora na escolha das imagens da vinheta.

Repare bem. Quando o narrador anuncia o Aconteceu no Estadual, a telinha exibe rapidamente quatro lances históricos da competição, antes de dar início aos causos propriamente ditos: o gol de Petkovic na decisão de 2001, o gol do vascaíno Cocada na decisão de 1988, o gol do botafoguense Maurício na decisão de 1989 e o gol de barriga do tricolor Renato Gaúcho na decisão de 1995.

À exceção óbvia da falta magistral cobrada por Pet, diante do eterno vice, os outros lances aconteceram em jogos contra o Flamengo. E proporcionaram títulos estaduais a Vasco, Botafogo e Fluminense. Touché: a emissora de televisão mais influente do país captou com precisão – e involuntariamente, arrisco dizer - a essência do futebol carioca.

Ao exibir as glórias da freguesia, justamente aquelas que ela mais festeja, a despeito de uma e outra conquista nacional ou internacional, a Globo expõe também as feridas dela. E revela bastante sobre o que significa ser rubro-negro.

Sim, porque a memória e o coração do torcedor do Flamengo reservam lugar especial para triunfos como o Tri sobre o Botafogo (de 2007 a 2009) e os 4 x 2 sobre o Fluminense na final de 1991. Ou, saindo do terreno das decisões, para os 6 x 0 no Botafogo em 1981 e para o golaço de Leandro no Fluminense, aos 45 do 2º tempo, em 1985 – dois momentos que marcaram até mais a alma rubro-negra, embora não tenham resultado em títulos.

À freguesia, resta a eterna e obsessiva busca por vitórias sobre o alvo comum, o Clube de Regatas do Flamengo. Como acontece neste 2010.

terça-feira, 30 de março de 2010

Ninguém se lembra de Ramon


Entra rodada, sai rodada e a discussão sobre quem deve ser o responsável pela criação das jogadas do Flamengo não chega ao fim. Petkovic e Vinícius Pacheco, que têm se revezado no papel, monopolizam o debate sobre o assunto a cada partida. Mas, até agora, nem a imprensa especializada, nem os torcedores e nem o técnico Andrade parecem ter chegado a uma conclusão.

Espanta-me, porém, que um terceiro jogador seja pouco ou quase nunca lembrado como candidato à vaga: Ramon, contratado exatamente porque o Flamengo procurava alguém com capacidade para substituir aos poucos o velho Pet, que pode até deixar o clube nos próximos dias. Em minha opinião, Ramon pode ser o jogador ideal para ocupar a vaga do sérvio – ou disputar a posição com ele.

O problema é que o atleta pagou o preço por ter chegado à Gávea bastante acima do peso e acabou eclipsado pelo fulminante início de ano de Pacheco, que se aproveitou também do vácuo temporário deixado por Pet – o gringo perdeu parte da pré-temporada para curtir o Natal ortodoxo da Sérvia. Além disso, a documentação de Ramon atrasou na Rússia, o que impediu sua inscrição na primeira fase da Libertadores.

Mesmo assim, Andrade bobeou: poderia tê-lo aproveitado em mais oportunidades no Campeonato Carioca. O técnico colocou Ramon em campo em poucos jogos, quase sempre contra os pequenos e sempre no segundo tempo. Desprezou a chance de observá-lo de verdade num clássico, a não ser durante poucos minutos contra o Botafogo, no Engenhão.

O pouco que vi de Ramon me agradou. Ele já demonstrou característica ausente no bom, veloz e voluntarioso Pacheco: qualidade no passe em profundidade. Sempre que entra em campo, tenta colocar, com naturalidade, um companheiro na cara do gol. Conseguiu, por exemplo, contra o América, no último domingo, em lance desperdiçado por Vagner Love.

Ramon mostrou ainda facilidade para driblar e tabelar, conforme já opinou o Fla 43, e mais talento em relação ao concorrente - acho até que a posição ideal para Pacheco seja outra, aberto pelas pontas para explorar sua velocidade.

Ainda é cedo para saber se Ramon vai confirmar tais qualidades em partidas importantes. Mas, como ele vai participar da segunda fase da Libertadores – caso o Flamengo se classifique –, precisa ser observado com carinho. Não custa escalá-lo de início contra o Friburguense, último jogo antes das semifinais da Taça Rio. Ramon pode dar caldo.

Foto: GloboEsporte.com

domingo, 28 de março de 2010

Protocolo cumprido (Fla 2 x 1 América)



Pouco importa a boa campanha do América na Taça Rio. Não estamos mais em 1955. Portanto, se o Flamengo foi pressionado durante grande parte do jogo desta tarde, no Engenhão, o significado é um só: o time jogou muito mal.

A meu ver, porém, a péssima apresentação rubro-negra não é motivo para irritação. O Flamengo fez apenas o suficiente para garantir a vaga nas semifinais da Taça Rio e não dar margem para os torcedores do Vasco, interessados no resultado, reclamarem de corpo mole.

Foi até legal ver o time sair em desvantagem no placar logo nos primeiros minutos de partida, pois deu para ouvir, na transmissão da Globo, a heróica e esperançosa torcida do América cantando o hino do clube.

A únicas jogadas do Flamengo no primeiro tempo aconteciam pela direita, com tramas entre Vinícius Pacheco e Leo Moura. No mais, a equipe não se movimentava, facilitava a marcação adversária e tomava sufoco.

O gol de empate surgiu após jogada despretensiosa: bola quicando na intermediária, toque de cabeça de Adriano para Vagner Love, que arrancou e acabou derrubado na área. O Imperador, sem paradinha, deslocou o goleiro e fez 1 x 1.

Um parêntese necessário: Toró, que completou hoje 150 jogos com a camisa do Flamengo, levou um cartão amarelo aos 17 minutos do primeiro tempo. E olha que ele acabava de voltar de suspensão. Difícil de aturar.

No segundo tempo, o América seguiu pressionando e perdendo gols. Só parou quando Jones, o homem que criava as jogadas do time, foi expulso burramente ao cometer um torozada. Ele entrou com a sola da chuteira por cima da bola e quase partiu ao meio o tornozelo de Willians.

Andrade, então, sacou Toró e colocou Petkovic. Mas o Flamengo não melhorou muito, mesmo com mais espaços em campo. Fez o segundo gol perto do final do jogo, em cabeçada de Vagner Love. Gerson, do América, ainda foi expulso.

Além de garantir o Flamengo nas semifinais da Taça Rio, o resultado serviu para confirmar a estatística: a equipe não perde quando Adriano ou Love marcam um gol.

***

Não sei qual será o fim da novela Petkovic, mas tenho a impressão de que o melhor substituto do sérvio atende pelo nome de Ramon. Tratarei sobre o assunto durante a semana.

***

A frase do jogo é de Júnior, durante transmissão da Globo:

“O Flamengo não conseguiu, mesmo com um homem a mais, criar muitas jogadas. Deveria ter conseguido."

Concordo com o Leovegildo, embora eu seja incapaz de me irritar com a maioria dos jogos do Campeonato Carioca.

Foto: GloboEsporte.com

sexta-feira, 26 de março de 2010

Noite dos esquecidos



Moro em Brasília, mas não pude comparecer ao estádio Mané Garrincha, ontem à noite. Foi lá que o time B do Flamengo, formado por reservas pouco aproveitados por Andrade, derrotou o Brasília por 3 x 0 – o adversário previsto inicialmente era Al-Khoyol, do Líbano, mas houve mudança em cima da hora.

Reproduzo, no entanto, a matéria de hoje do Correio Braziliense, assinada pelo repórter Roberto Naves.

Denis Marques, Camacho e o promissor Carlyle, ex-CFZ, que estreou pelo clube, marcaram os gols rubro-negros. O goleiro Paulo Victor pegou um pênalti.

Comandado pelo auxiliar Marcelo Sales, o Flamengo jogou com: Paulo Victor; Galhardo, Rômulo, Henrique e Anderson (Saba); Lenon, Leo Medeiros, Camacho e Gil (Eliabe); Bruno Mezenga (Carlyle) e Denis Marques.

"Paixão cega

Come e dorme do Flamengo leva mais de dois mil pagantes ao Mané Garrincha em amistoso caça-níquel

Roberto Naves

A torcida candanga do Flamengo deu mostras de paixão cega pelo clube da Gávea. Um simples amistoso caça-níqueis com o come e dorme rubro-negro atraiu mais de dois mil pagantes ao Mané Garrincha, ontem à noite, na goleada de 3 x 0 sobre o Brasília. Os 2.071 torcedores do público divulgado – a estimativa extraoficial é de quatro mil pessoas presentes – deixaram o estádio vazio, mas superam os 1.915 que foram ver o time principal, de Adriano, Vagner Love e Petkovic, bater o Tigres, na quarta-feira, no Engenhão, pelo Campeonato Estadual.

Mesmo representado por um time de jogadores raramente aproveitados e execrados pela torcida carioca, como os atacantes Gil, Denis Marques e Bruno Mezenga, o 'cover' rubro-negro fez a festa do público candango. Bombas, cascatas de fogos de artifícios, tradicionais cânticos e gritos de olé deram ares de Maracanã ao Mané Garrincha.

Nem o treinador Andrade veio a Brasília para o jogo que valeu R$ 100 mil para os cofres rubro-negros, em amistoso promovido para comemorar a Semana Nacional das Comunidades Árabes Brasileiras. Com o auxiliar Marcelo Sales no papel de técnico, Denis Marques e Gil brindaram o público candango com duas costumeiras furadas, devidamente ignoradas pelos fãs.

Denis Marques ainda abriu o placar, aos 18 minutos do primeiro tempo, em belo chute no ângulo do goleiro Diego, para começar a festa nas arquibancadas. Vestido com a camisa 10, o volante Leo Medeiros tentou honrar o papel de sucessor de Zico, mas a cobrança de falta não lembrou o maior craque da história da Gávea.

Terceiro goleiro do Flamengo, Paulo Victor teve o seu momento de titular Bruno ao defender pênalti cobrado, sob vaias, por Felipe aos 10 minutos do segundo tempo. O pulo certeiro no canto direito foi o suficiente para comemorações na arquibancada e gritos de 'Mengo'. O colorado até pressionou e carimbou uma bola na trave, aos 29, com Djavan, mas foram os visitantes que ampliaram.

Na sua estreia pelo rubro-negro, o candango Carlyle, revelado pelo CFZ-DF na Copa São Paulo deste ano, acertou o canto de Diego, mas o gol foi anulado. No entanto, a prata da casa teve o direito de festejar seu primeiro gol com a camisa do Flamengo, aos 38, depois de completar na saída do goleiro a triangulação de Gil e Denis Marques.

Festa completa com direito a gritos de olé, vaias para o 'anfitrião' Brasília e até surpreendentes aplausos para Gil na substituição, aos 44. Só não deu tempo para o goleiro reserva do colorado, Célio, entrar na vaga de Diego. O árbitro Alexandre Andrade apitou o jogo antes do fim da troca."


Foto: GloboEsporte.com

quarta-feira, 24 de março de 2010

Peladinha útil (Fla 3 x 1 Tigres)



Desta vez, o jogo do Flamengo fluiu mais e melhor em relação à maioria de seus confrontos contra times pequenos no Campeonato Carioca. Só por isso, a pelada contra o Tigres já valeu a pena.

Claro que não foi grande coisa. O adversário é muito fraco. E o Flamengo, embora dominasse a partida desde o início, parecia conformado e quase não criava chances de gol. Era Willians, por exemplo, que chegava à linha de fundo pela direita – e não Leo Moura.

O time precisou sair atrás no placar para Andrade mudar o posicionamento e os jogadores despertarem: no gol de empate, Kleberson - deslocado do lado esquerdo para o direito - enfiou para Leo Moura, que cruzou na cabeça do Imperador.

No segundo tempo, o Flamengo teve a posse bola, disposição, toque fácil, agradável e eficiente e jogadas pelos dois lados do campo. Vinícius Pacheco entrou bem no lugar de Petkovic, discreto no Engenhão novamente vazio.

O segundo gol foi o ponto alto da pelada. Bruno iniciou contra-ataque ao esticar com a mão para Juan. O lateral tocou de lado, de primeira, para Adriano, que arrancou e devolveu o passe. Já perto da área, Juan passou para Vagner Love, que cortou o zagueiro e fez o golaço.

No terceiro, valeu a autocrítica de Vinícius Pacheco. Livre diante do goleiro, preferiu não arriscar. Viu o Imperador chegando e entregou-lhe a bola. Melhor assim.

Sobre o Imperador: eu já tinha achado Adriano menos pesado contra o Botafogo. Hoje, ele correu um pouquinho mais, como no segundo gol e numa jogada em que tentou fazer fila, e mostrou certa mobilidade. A perseguição da imprensa, pelo visto, tem sido útil. O homem quer jogo.

Já Vagner Love deixou o dele, perdeu dois bisonhamente e se atrapalhou bastante com a bola, como tem acontecido nos últimos jogos. Pode melhorar.

É nítida a diferença entre Maldonado e Toró. Basta pensar o seguinte: você notou o chileno em campo? Poucas vezes, com certeza. Torozinho, se estivesse no gramado, seria notado o tempo inteiro, a dar carrinhos, a correr atrás dos adversários e a receber cartões desnecessários.

***

A frase da noite é do comentarista André Loffredo, do Sportv, sobre o segundo tento rubro-negro:

“Foi um gol belíssimo. Um típico gol dessa equipe do Flamengo”.

Fica a esperança de que o time coloque em prática a fluência de jogo mostrada hoje em partidas mais difíceis. Qualidade não falta.

Foto: GloboEsporte.com

Prazer em revê-lo


Em 21 de outubro do ano passado, em sua coluna na Folha de São Paulo, Tostão escreveu que a defesa do Flamengo havia melhorado após Andrade trocar o esquema tático do 3-5-2 para o 4-4-2. E fez a seguinte constatação sobre alguns jovens e atabalhoados volantes rubro-negros:

“Toró, Willians e Aírton estão também aprendendo, com Andrade e Maldonado, que marcar bem não é correr atrás do adversário para fazer faltas e dar pontapés.”

Não há melhor notícia, portanto, que a volta do chileno à equipe do Flamengo nesta noite, contra o Tigres, pelo Campeonato Carioca, no Engenhão. Sem jogar desde o último 17 de novembro, após lesionar o joelho esquerdo defendendo a seleção de seu país, Maldonado foi operado, ficou de fora dos últimos jogos do Campeonato Brasileiro e deixou saudades na torcida.

À ausência forçada dele e à venda de Aírton, o melhor aluno entre os jovens e atabalhoados volantes, deve-se o principal problema do Flamengo neste ano: a marcação no meio de campo, embora o time tenha demonstrado outras fraquezas que Andrade ainda não conseguiu consertar.

Maldonado terá trabalho. Toró e Willians esqueceram-se de todas as lições de 2009. Os dois têm corrido bastante atrás dos jogadores adversários, como ficou evidente no clássico de domingo contra o Botafogo. Desarmam com frequência, mas estão quase sempre a perseguir quando deveriam aguardar, à espreita, o momento do bote.

Willians, apesar de tudo, é titular absoluto. Já o lugar de Toró, suspenso pelo terceiro amarelo, é o banco de reservas. A não ser que Maldonado, ainda sem ritmo de jogo, repita o desastroso início de temporada dos zagueiros Álvaro (principalmente) e Ronaldo Angelim.

Uma curiosidade sobre o meio de campo armado por Andrade para esta noite: Kleberson e Maldonado, que serão acompanhados de Willians e de Petkovic, ainda não jogaram juntos pelo Flamengo. Quando o chileno foi contratado, em fins de agosto, o brasileiro estava contundido – sofrera luxação no ombro direito em ridículo amistoso da Seleção Brasileira contra a Estônia. Depois, quando Maldonado amargava o estaleiro e caminhava de muletas, Kleberson, recuperado, curtia o banco de reservas nas últimas partidas do Campeonato Brasileiro.

Maldonado é experiente, tem saída de bola, boa leitura de jogo, não se desgasta, não chega atrasado. Será fundamental no Campeonato Carioca e na Libertadores. Que jogue como sempre.

Foto: UOL Esporte

segunda-feira, 22 de março de 2010

O terror da freguesia


Adriano relaxa em lanchonete

Diga o que quiser a respeito de Adriano. Reclame das constantes faltas do jogador aos treinos. Lamente o desleixo do craque com a balança. A essas críticas, faço coro. Torço por um Imperador em forma.

Se você não é rubro-negro, deixe o anti-flamenguismo e o preconceito social fluírem e atire pedras: alcoólatra, drogado, favelado, traficante, assassino. Torça por um Imperador atrás das grades.

Mas Adriano assombra mesmo é dentro de campo: ele é o terror da freguesia. Desde que voltou ao Brasil, em 2009, não poupou Botafogo, nem Fluminense, nem Vasco. Já são 10 gols em oito clássicos disputados.

Dos três rivais, a maior vitima do Imperador é o Fluminense. Já o Vasco é quem deu mais sorte, pois disputou a Série B do Campeonato Brasileiro do ano passado.

Veja o retrospecto de Adriano em clássicos cariocas desde o retorno ao país:

Fluminense 0 x 0 Flamengo (0) – Campeonato Brasileiro 2009
Flamengo 2 x 0 Fluminense (2) - Campeonato Brasileiro 2009
Fluminense 3 x 5 Flamengo (3) – Campeonato Carioca 2010

Flamengo 2 x 2 Botafogo (1) – Campeonato Brasileiro 2009
Botafogo 0 x 1 Flamengo (1) – Campeonato Brasileiro 2009
Flamengo 1 x 2 Botafogo (0) – Campeonato Carioca 2010
Botafogo 2 x 2 Flamengo (2) – Campeonato Carioca 2010

Flamengo 1 x 0 Vasco (1) – Campeonato Carioca 2010

Total: 10 gols em 8 clássicos

domingo, 21 de março de 2010

Houve evolução (Botafogo 2 x 2 Fla)



Não há motivo para comemoração. Celebrar empate com o Botafogo é comportamento anti-rubro-negro. Mesmo com gol aos 48 minutos do segundo tempo. Portanto, passados aqueles segundos entre o momento em que a bola estufou a rede do goleiro Jefferson e o terceiro replay da jogada, o máximo permitido a qualquer torcedor do Flamengo é a análise fria e objetiva da partida.

Pois há dois pontos no clássico que me deixaram satisfeitos, embora com ressalvas. Primeiro: o Flamengo jogou melhor que nas últimas três partidas. Segundo: Adriano me pareceu menos pesado, participou bastante do jogo e marcou os dois gols rubro-negros – p. da vida com a perseguição que tem sofrido ao longo deste mês, o craque deixou o gramado novamente sem falar com os jornalistas.

O Flamengo desta noite teve atuações mais inspiradas que na derrota para o Universidad de Chile, pela Libertadores. Além de Adriano, gostei de Kleberson, que ajudou na criação de várias jogadas, inclusive a que resultou no primeiro gol do Imperador. Com o retorno de Petkovic, o time ganhou massa cinzenta no meio de campo, embora o sérvio não tenha sido brilhante. Vagner Love lutou bastante como sempre e até incomodou, mas errou demais. E Bruno quase pegou outro pênalti.

Apesar disso e de atuações razoáveis de outros jogadores, o Flamengo pecou novamente na saída de bola. O Botafogo adiantava a marcação, o que obrigou Álvaro e Fabrício a darem inúmeros chutões para frente. A maior parte dos rebotes também ficou com o adversário, melhor posicionado e com a defesa atenta a qualquer movimentação rubro-negra.

O Flamengo deu liberdade ao Botafogo durante boa parte do jogo – eles dominaram o primeiro tempo - e falhou atrás no segundo gol alvinegro, de Herrera, já na segunda etapa. Os volantes, apesar de atrasados em muitos lances, desarmaram com frequência, mas Toró teve dificuldade para acompanhar o habilidoso Caio – no segundo tempo, cabeça-de-área foi designado, já com um cartão amarelo, para colar no jogador

O empate no fim foi resultado mais do abafa que propriamente do jogo coletivo, apesar da evolução do time. Até porque Joel recuou o Botafogo, esperando a oportunidade de matar o Flamengo num contra-ataque, o que felizmente não aconteceu.

Não concordei com duas substituições do Andrade. A de praxe, quando sacou Pet para colocar Vinícius Pacheco, pode ter acontecido pelo cansaço do sérvio, pois o ritmo do jogo foi forte. Mas não entendi a troca de Kleberson, eficiente no clássico, por Ramon, que não comprometeu.

Ah, sim, o público no Engenhão foi lamentável: apenas 9.074 pessoas (6.707 pagaram ingresso).

***

Botafoguense nenhum tem o direito de reclamar de arbitragem em jogos contra o Flamengo. No clássico da Taça Guanabara, o árbitro Luís Antônio Silva dos Santos desexpulsou (sic) o volante Fahel, que recebera merecido cartão vermelho.

Hoje, o sr. Wagner do Nascimento Magalhães assinalou pênalti de Éverton Silva em Lúcio Flávio após falta cometida fora da área. Joel Santana, inacreditavelmente, ainda reclamou da arbitragem ao fim da partida.

Por isso, a frase da noite é de Renato Maurício Prado, durante o programa Troca de Passes, do Sportv:

“Se fosse ao contrário, a gente ia ter chororô a semana inteira.”

Palavras óbvias, mas verdadeiras.

Foto: GloboEsporte.com