Não há motivo para comemoração. Celebrar empate com o Botafogo é comportamento anti-rubro-negro. Mesmo com gol aos 48 minutos do segundo tempo. Portanto, passados aqueles segundos entre o momento em que a bola estufou a rede do goleiro Jefferson e o terceiro replay da jogada, o máximo permitido a qualquer torcedor do Flamengo é a análise fria e objetiva da partida.
Pois há dois pontos no clássico que me deixaram satisfeitos, embora com ressalvas. Primeiro: o Flamengo jogou melhor que nas últimas três partidas. Segundo: Adriano me pareceu menos pesado, participou bastante do jogo e marcou os dois gols rubro-negros – p. da vida com a perseguição que tem sofrido ao longo deste mês, o craque deixou o gramado novamente sem falar com os jornalistas.
O Flamengo desta noite teve atuações mais inspiradas que na derrota para o Universidad de Chile, pela Libertadores. Além de Adriano, gostei de Kleberson, que ajudou na criação de várias jogadas, inclusive a que resultou no primeiro gol do Imperador. Com o retorno de Petkovic, o time ganhou massa cinzenta no meio de campo, embora o sérvio não tenha sido brilhante. Vagner Love lutou bastante como sempre e até incomodou, mas errou demais. E Bruno quase pegou outro pênalti.
Apesar disso e de atuações razoáveis de outros jogadores, o Flamengo pecou novamente na saída de bola. O Botafogo adiantava a marcação, o que obrigou Álvaro e Fabrício a darem inúmeros chutões para frente. A maior parte dos rebotes também ficou com o adversário, melhor posicionado e com a defesa atenta a qualquer movimentação rubro-negra.
O Flamengo deu liberdade ao Botafogo durante boa parte do jogo – eles dominaram o primeiro tempo - e falhou atrás no segundo gol alvinegro, de Herrera, já na segunda etapa. Os volantes, apesar de atrasados em muitos lances, desarmaram com frequência, mas Toró teve dificuldade para acompanhar o habilidoso Caio – no segundo tempo, cabeça-de-área foi designado, já com um cartão amarelo, para colar no jogador
O empate no fim foi resultado mais do abafa que propriamente do jogo coletivo, apesar da evolução do time. Até porque Joel recuou o Botafogo, esperando a oportunidade de matar o Flamengo num contra-ataque, o que felizmente não aconteceu.
Não concordei com duas substituições do Andrade. A de praxe, quando sacou Pet para colocar Vinícius Pacheco, pode ter acontecido pelo cansaço do sérvio, pois o ritmo do jogo foi forte. Mas não entendi a troca de Kleberson, eficiente no clássico, por Ramon, que não comprometeu.
Ah, sim, o público no Engenhão foi lamentável: apenas 9.074 pessoas (6.707 pagaram ingresso).
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Botafoguense nenhum tem o direito de reclamar de arbitragem em jogos contra o Flamengo. No clássico da Taça Guanabara, o árbitro Luís Antônio Silva dos Santos desexpulsou (sic) o volante Fahel, que recebera merecido cartão vermelho.
Hoje, o sr. Wagner do Nascimento Magalhães assinalou pênalti de Éverton Silva em Lúcio Flávio após falta cometida fora da área. Joel Santana, inacreditavelmente, ainda reclamou da arbitragem ao fim da partida.
Por isso, a frase da noite é de Renato Maurício Prado, durante o programa
Troca de Passes, do
Sportv:
“Se fosse ao contrário, a gente ia ter chororô a semana inteira.”
Palavras óbvias, mas verdadeiras.
Foto: GloboEsporte.com