segunda-feira, 26 de abril de 2010
Dica para o novo treinador
Da talentosa geração de jogadores revelada pelo Flamengo no final da década de 1980, Marcelinho, que só ganharia o epíteto Carioca após seguir para o Corinthians, não era o único com talento para os chutes de longa distância.
Dono de potente arremate de perna esquerda, o zagueiro Rogério, atualmente conhecido como Rogério Lourenço, técnico interino do Flamengo, fazia com alguma frequência o que Adriano não tem feito: gols de fora da área, com a bola rolando ou em cobranças de falta.
No Campeonato Brasileiro de 1992, foi o zagueiro quem garantiu a vitória de 1 x 0 sobre o São Paulo, no Maracanã, no primeiro turno do quadrangular semifinal, após cobrança de falta do meio da rua que enganou o já experiente goleiro e entrou no meio do gol – o grupo rubro-negro contava ainda com Vasco e Santos.
Pois o Fla 43 publica as entrevistas de Zetti e de Rogério, concedidas à reportagem da Globo logo após a partida. Os depoimentos estão armazenados em antigo VHS com a campanha do Penta, comprado pelo blogueiro um ano depois da conquista, em 1993:
Zetti: "Foi um chute forte, né. A bola veio cheia de efeito e, na passada, na hora em que tentei voltar, minha perna esquerda escorregou e ficou difícil fazer a defesa."
Rogério: "Acho que não esperava o efeito da bola, que foi muito forte, com muito efeito, e ele foi pro canto, ela fez a curva e voltou."
Então... Rogério bem que poderia convencer Adriano a treinar os chutes de longe. O mesmo precisa ser feito com o jovem zagueiro Fabrício, cuja pontaria anda deficiente.
O fundamento pode ser útil já na quarta-feira, contra o Corinthians, pela Libertadores, no Maracanã.
***
Links do Youtube para Flamengo 1 x 0 São Paulo, com gol de Rógério:
http://www.youtube.com/watch?v=2V62_vwdPZo
http://www.youtube.com/watch?v=Iq-YY74Sgds
domingo, 25 de abril de 2010
Personagens do tumulto
Tudo fica velho com velocidade impressionante hoje em dia. Por isso, deve parecer estranho alguém se pronunciar sobre os últimos acontecimentos do futebol do Flamengo dois dias depois de tudo, uma eternidade. Mas aí vão algumas considerações sobre os principais personagens do tumulto rubro-negro:
Andrade - fui contra a demissão dele, mas concordo que errou bastante nesse ano. Esteve inseguro, perdido em meio à política de privilégio a alguns jogadores, não aproveitou os jogos contra os pequenos do Rio de Janeiro para acertar o time. A demissão é compreensível dentro da realidade do futebol brasileiro, mas Andrade foi submetido a covarde e desnecessário processo de fritura. Um ídolo rubro-negro não precisa passar por isso.
Marcos Braz - não há como fugir do que todo mundo diz por aí: Braz foi importante no Campeonato Brasileiro do ano passado, mas esteve insuportável após a conquista. O ato mais lamentável do vaidoso cartola foi submeter Andrade a covarde processo de fritura, quando condicionou a permanência do técnico no cargo ao afastamento de Petkovic. Enfim, Braz não vai deixar saudades. Só espero que seu substituto seja mesmo um profissional.
Jogadores - se gostavam tanto de Andrade e de Marcos Braz, porque não demonstraram isso no conturbado dia-a-dia e no campo? Um dos poucos a se salvar da apatia geral em campo, Vagner Love mostrou ser igual a outros, com seu protesto infantil (os gritos de “é brincadeira” durante coletiva de Patrícia Amorim). A auto-propalada união desse elenco, com os jantares semanais e tal, parecia legal no início, mas não tem ajudado o clube em nada.
Patrícia Amorim - mostrou coragem para promover as mudanças no futebol. O fato de não ter demitido somente o treinador e anunciar – até para cumprir promessa da campanha – a profissionalização do futebol rubro-negro é interessante. Mas se atrapalhou ao justificar a mudança como a necessidade de dar uma “resposta política” ao grupo que a apoiou. É o tipo de coisa que não precisa ser dita. Vai suar para conseguir sucesso nessa empreitada.
Rogério Lourenço - incógnita. Segundo a coluna de hoje de Renato Maurício Prado, n' O Globo, o interino é tratado na Gávea como “joia a ser lapidada.” Pode até ser efetivado se passar, com sucesso, pelo batismo de fogo nos jogos contra o Corinthians. No momento, é mesmo melhor opção, até porque o novo manda-chuva do futebol do Flamengo ainda não foi escolhido (ou divulgado, ou não confirmou se aceita a proposta rubro-negra, enfim).
De resto, é apoiar o time contra o Corinthians.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Impressões iniciais sobre Flamengo x Corinthians
* Para a imprensa, nada melhor. O Flamengo x Corinthians das oitavas-de-final da Libertadores já impulsiona as vendas de jornais, os acessos aos sites esportivos, a audiência da televisão. Graças, especialmente, a Adriano e Ronaldo, que ainda têm assustadora capacidade de mobilização, mesmo acima do peso e sem jogar p*rra nenhuma. E por ser o duelo entre os dois times mais populares do país. Deve ter havido festa ontem à noite nas redações brasileiras, principalmente na Globo.
* Para o Flamengo, ter a chance de disputar o duelo é lucro. Não fossem os resultados de três jogos de outros grupos, o clube só jogaria de novo em 9 de maio, contra o São Paulo, na estreia do Campeonato Brasileiro. A dúvida é saber que time enfrentará o Corinthians na próxima quarta-feira, no Maracanã, que técnico estará à beira do gramado, que cartola terá a missão de comandar o futebol do novo (?) Flamengo – esclarecimentos nesta tarde, com a presidenta Patrícia Amorim.
* Para a torcida, não há motivo para otimismo, tampouco para pessimismo. Enfrentar o experiente e arrumado Corinthians de Mano Menezes, dono da melhor campanha da primeira fase, é o mesmo que encarar o fraco Universitario, do Peru, porque o Flamengo é totalmente imprevisível na Libertadores. Em 2007 e 2008, classificou-se com campanhas exemplares na primeira fase e levou ferro dos uruguaios do Defensor e dos mexicanos do América, respectivamente. Não dá para saber o que esperar.
* Para os secadores, o primeiro confronto brasileiro da Libertadores 2010 será histórico. Nunca dois jogos de futebol terão mobilizado tantos membros dessa categoria. Flamengo e Corinthians são os clubes mais odiados em seus respectivos estados e no país. Claro que os rubro-negros contam com mais antipatizantes, pois despertam a fúria de torcedores de qualquer clube nos milhares de cidades onde o clube é maioria. Nas duas próximas noites de quartas-feira, as ruas do Brasil estarão desertas.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Carta aberta ao goleiro do Flamengo
Prezado Bruno,
Quando você levava um frango e era criticado por parte da torcida, especialmente após resultados ruins, lá estava eu para dizer que o dono da camisa 1 rubro-negra era um bom goleiro. E que os bons goleiros também têm o direito de falhar.
Quando você tentava driblar um adversário dentro da área ou subia ao ataque antes da hora para tentar uma cabeçada, eu lhe compreendia. Pois jovens de muito talento, como você, costumam ser impetuosos e excessivamente autoconfiantes.
Quando você criticava a falta de estrutura do Flamengo, eu lhe apoiava. Afinal, o clube oferece muito menos do que poderia e certas verdades devem ser ditas. Eu encarava sua atitude como preocupação legítima com a instituição.
Quando você disse que a torcida do Flamengo, às vezes, atrapalha o time, eu não lhe ataquei. Aliás, ainda acho que você tem certa razão nesse ponto, pois os rubro-negros - às vezes, que fique claro - são exageradamente impacientes.
Quando você era insultado por torcedores rivais, eu comemorava. Pois raciocinava que, com você, Leo Moura, Angelim e Juan, todos há anos no clube, o Flamengo tinha jogadores identificados com a camisa, e que ganhavam títulos. Daí a bronca rival.
Quando você era acusado de bater na mulher, de bater em mulher ou falava sobre isso, como já falou, a coisa mudava de figura. Eu lhe reprovava, duvidava do seu caráter, mas preferia me concentrar nas suas qualidades como jogador de futebol.
Quando você desrespeitou Andrade, nos tempos em que ele era auxiliar, eu lhe reprovei. Mas o tempo passou, veio o título brasileiro, com Andrade no comando, vieram seus elogios ao chefe. E perdoei você: tudo em casa, passado enterrado.
Quando você agrediu Petkovic no vestiário, eu lhe reprovei. Mas critiquei também a velha e frouxa política do clube, ainda não estruturado o suficiente para ter a moral de enquadrar todo mundo, especialmente as prima-donas, como você.
Só que você, Bruno, passou dos limites ao mandar beijinhos irônicos para a torcida, que apoiou o Flamengo durante 90 minutos e deixou o justo protesto apenas para o fim do jogo de ontem contra o Caracas, talvez o último do clube nessa edição da Taça Libertadores.
Você desrespeitou os torcedores que compraram um ingresso caro para apoiar um time em péssima fase - e mergulhado numa fogueira das vaidades – num dia de semana e num horário em que é perigoso andar por aí em qualquer grande cidade.
Você desrespeitou também aqueles que, por não ter dinheiro para o ingresso, por medo da violência, por escolher a companhia da família ou, como eu, por não morar no Rio de Janeiro, acompanharam o fracasso rubro-negro pela televisão.
Você desrespeitou ainda os que ouviram o jogo pelo rádio, os que acompanharam pela internet, os que preferiram poupar o coração e só saber das notícias no dia seguinte, as crianças que não conseguiram ficar acordadas até tarde.
Você mostrou ontem, Bruno, que não tem compromisso com a instituição Flamengo, com a torcida do Flamengo, com a braçadeira de capitão do Flamengo. Pode até continuar fechando o gol e ganhando títulos pelo clube, mas não terá mais o meu respeito.
O mais novo vexame (Fla 3 x 2 Caracas)
Poucas vezes as vaias da torcida aos jogadores foram tão justas.
Poucas vezes os gritos de “time sem vergonha” foram tão bem aplicados.
Mesmo que, muitas vezes, o Flamengo tenha fracassado em jogos fáceis como o desta noite.
Não há desculpa, tampouco absolvidos: ganhar por dois gols de diferença era tarefa simples. A gritante fragilidade do time do Caracas foi escancarada para todo o Brasil.
O Flamengo merece, e não só por hoje, a situação desconfortável na Libertadores a ponto de ser obrigado a secar times de outros grupos. Eis alguns porquês, sem entrar nas confusões extra-campo:
* O time levou nove gols em seis jogos.
* Não conseguiu vencer o limitado Universidad de Chile nenhuma vez.
* Andou em campo no segundo jogo contra o Universidad Católica.
* Sofreu um gol de placa, no melhor estilo Maradona e Messi, de um time da Venezuela.
Para não ser injusto: houve luta. Mas perder tantos gols e falhar grosseiramente na defesa, como no primeiro gol do Caracas, só podia dar no que deu.
Andrade também vacilou, pois demorou a colocar Petkovic quando o jogo implorava pela entrada do sérvio, com tantos espaços no gramado do Maracanã.
Acho que nenhum rubro-negro imaginava que teria de torcer pelos resultados de dois ou três grupos para saber se o Flamengo consegue vaga na próxima fase. A quinta-feira (ih, já é quinta) será difícil.
Melhor definir quem vai sobreviver à caça às bruxas e arrumar logo a casa para o Campeonato Brasileiro.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Queremos entrega, nada mais
Ele não está no texto. Mas fica a homenagem.
A maioria dos jogadores de futebol não sabe nada de história. Nem mesmo a do clube que defende. Bruno confirmou a regra no final do ano passado, quando mandou confeccionar uniforme em homenagem ao goleiro Zé Carlos, falecido poucos meses antes, para jogar a última rodada do Campeonato Brasileiro, contra o Grêmio. O gesto foi nobre, mas Bruno achava que o colega de posição havia sido campeão nacional pelo Flamengo em 1992 – na verdade, foi em 1987.
Por isso, este blog enumera, humildemente, alguns feitos de jogadores e times rubro-negros ao longo dessa centenária trajetória. Quem sabe alguém do atual elenco, por acidente, não se depara com esse espaço virtual antes do decisivo jogo de hoje à noite, contra, o Caracas, no Maracanã. Afinal, o Fla 43 acredita no futuro do país e entende que os boleiros são sensíveis a ponto de encontrar motivação fora das fajutas palestras de autoajuda e das preleções de vestiário.
Portanto, se você joga no Flamengo e veio parar aqui, desligue o celular, o iPod, esqueça seu empresário, as picuinhas que assolam o clube e leia com atenção os tópicos abaixo:
* Em 1927, o ponta-esquerda Moderato disputou decisão contra o Vasco com uma cinta para proteger os pontos da cirurgia de apendicite a que se submetera dois dias antes.
* Em 1944, também contra o Vasco, o argentino Valido jogou com 39 graus de febre e garantiu o título rubro-negro com cabeçada certeira nos últimos minutos da partida.
* Em 1946, o craque Zizinho, sem saber, jogou duas partidas com a perna quebrada. Apesar da dor quase insuportável, não fugiu de divididas, lutou em campo e honrou a camisa.
* Em 1980, no primeiro jogo da decisão do Campeonato Brasileiro, contra o Atlético-MG, no Mineirão, o Deus da Raça Rondinelli fraturou a mandíbula e, mesmo assim, queria voltar a campo.
* Em 1981, o Flamengo foi campeão da Libertadores ao derrotar Cobreloa, do Chile, que dava porrada na cada dura e deixou Lico e Adílio sangrando no segundo jogo, em Santiago.
* Em 1981, com a vitória assegurada no terceiro jogo contra o Cobreloa, o atacante Anselmo entrou no fim e deu um soco no zagueiro Mário Soto, nocauteando o chileno e vingando os rubro-negros.
* De 1985 até encerrar a carreira no Flamengo (em 1990), o já veterano Zico jogou inúmeras partidas no sacrifício, com dores insuportáveis no joelho operado.
* Em 1992, o Flamengo deixou o Vasco para trás no Campeonato Brasileiro após ganhar na bola e na porrada, com direito a soco de Júnior Baiano em Edmundo.
* Em 1999, com time limitadíssimo, cujo camisa 10 era Iranildo, o Flamengo foi campeão da Mercosul, fora de casa, em cima do estrelado Palmeiras de Felipão, Zinho, Alex e outros.
* Em 2009, atletas que hoje se desentendem contrariaram as previsões de 100% da crônica esportiva, derrotaram os favoritos e levaram para a Gávea o Hexa do Brasileiro.
Raciocínio concluído, o Fla 43 esclarece aos jogadores do Flamengo que não espera deles, contra os venezuelanos do Caracas, atitudes como as de Anselmo e Júnior Baiano, principalmente nos primeiros minutos de jogo (beleza, Willians?). Mas o blog entende que esses episódios, cada um em seu contexto, foram necessários. E quer ver espírito semelhante na bola.
NR: a bela expressão “na bola e na porrada” foi usada para se referir ao Flamengo x Vasco de 1992 por Gustavo de Almeida, no blog Jihad Rubro-Negra.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Crise, crise, crise
Será isso o que o destino nos reserva?
Difícil assumir uma posição definitiva a respeito da crise no Flamengo. Boa parte dos protagonistas desse momento lamentável tem personalidade complicada. Bruno é explosivo, vaidoso e infantil. Petkovic é explosivo e vaidoso. Marcos Braz é vaidoso, vaidoso (sim, duas vezes) e explosivo. Andrade e Patrícia Amorim não se enquadram no grupo. O técnico é conciliador, mas está perdido. Já a presidenta parece enérgica, e isso pode ser bom, embora seja cedo avaliar.
Mas, em meio ao mais novo tumulto rubro-negro, há um fato evidente: Andrade está sendo vítima de covarde processo de fritura. Jogar no colo do treinador a responsabilidade de barrar Pet, praticamente condicionando sua permanência no cargo ao afastamento do sérvio, é atitude sacana, deplorável e vergonhosa. Com medo de ficar queimado com a torcida caso mande embora um ídolo do Flamengo, o comando do futebol se omite e joga o pepino na mão do subordinado.
Pet e Andrade, especialmente o primeiro, são os mais novos bodes expiatórios dos cartolas rubro-negros. O primeiro, acusado de rachar o grupo de jogadores. O segundo, de falta de comando. Como se a assustadora queda de produção do time logo após o título brasileiro fosse responsabilidade de apenas dois homens. Como se Bruno e Álvaro não fossem chegados a panelinhas, como se Adriano não deixasse o clube e o time na mão, como se o ego de Marcos Braz não tivesse chegado à Lua.
Não adianta, porém, demitir Pet sem ter um substituto à altura. Nenhum dos jogadores no elenco atual mostrou condições para tanto. Se não querem mais o gringo no clube, que esperem, pelo menos, alguém mostrar evolução (acorda, Ramon!) ou o esquema de jogo ser mudado. Pet também tem parcela de culpa: deixou de ser o cara humilde e trabalhador do ano passado para voltar a ser a estrela temperamental de sempre. Só que aos 37 anos. O cara é tão ídolo quanto chato.
Também não adianta fabricar a falsa imagem de um Andrade frouxo e contratar um técnico caro e disciplinador com o pretexto de colocar ordem na casa se o clube, com sua política de privilégio às estrelas e falta de estrutura, não oferece condições de trabalho a ninguém que pretenda incutir o mínimo profissionalismo na Gávea. Sem contar a qualidade duvidosa de parte dos treinadores com mercado na Série A – e o ótimo Muricy Ramalho, que não daria certo no Flamengo, deve parar no Fluminense.
Quanto ao tal choque de ordem prometido por Patrícia Amorim, é quase impossível que se implante algo tipo no clube ou nos outros grandes do Rio de Janeiro. O máximo que se pode conseguir é fechar o elenco para o jogo de amanhã e, se a vaga for conquistada, para os próximos jogos da Libertadores. Entenda-se por fechar o comprometimento dentro de campo e nem sempre fora dele. Aliás, ainda não entendi o que o marido de Patrícia estava fazendo na reunião que decidiu segurar (por enquanto) Andrade no cargo.
É muito provável que o Flamengo não apresente melhora significativa contra o Caracas, no Macaranã, no aspecto tático. Um resultado satisfatório, com razoável diferença de gols, que praticamente assegure a classificação, será resultado da luta (se houver luta) e da fragilidade e /ou falta de interesse do adversário. Ainda bem que a equipe venezuelana é muito ruim, embora isso não seja garantia de vitória, dado o gosto do clube pelos vexames no Maracanã.
Só o que espero, dos jogadores e dos cartolas, é o mínimo de comprometimento para resolver o problema mais urgente. Não deve ser tão difícil assim.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Para refletir
Do jornalista Cosme Rímoli, em seu blog no portal R7:
“Loco Abreu tem nas veias o sangue guerreiro uruguaio.
Isso faz a diferença no futebol carioca, tão cadenciado e com tantos jogadores mimados.”
Não há mais nada no texto que interesse ao Flamengo, mas segue o link.
Embromação pós-derrota: uma pretensa análise macro
Aos desesperados, que imaginam estar tudo errado na Gávea e defendem a troca de todos os jogadores, do técnico, da diretoria e da presidenta, não custa lembrar: o Flamengo já viveu dias muito piores. Quem tem menos de 30 anos (meu caso) e começou a acompanhar o clube na década de 90 foi obrigado a suportar intermináveis temporadas de sofrimento, com destaque para ausência de títulos importantes e o consequente apequenamento da instituição. Uma espécie de ressaca pós-Zico.
Nos tristes anos após o Penta, conquistado em 1992, o Flamengo habitou-se às campanhas medianas ou à fuga do rebaixamento no Campeonato Brasileiro; contratou grandes jogadores e montou grandes elencos que não deram em nada; sofreu goleadas memoráveis; atrasou salários; perdeu a credibilidade a ponto de jogadores medianos recusarem ofertas rubro-negras para aceitar propostas de clubes do porte do São Caetano e similares, onde receberiam em dia e teriam paz no trabalho.
Houve momentos de consolo ao longo desse período, como a hegemonia rubro-negra no Campeonato Carioca, especialmente o Tri conquistado sobre o Vasco, em 1999, 2000 e 2001, quando o rival, em grande fase, faturava títulos nacionais e internacionais. Ou a heróica conquista da Copa Mercosul sobre um Palmeiras infinitamente superior, comandando por Felipão e com jogadores do nível de Alex, Zinho, Asprilla, Marcos e Arce. Pouco, no entanto, para grandeza do clube.
A intenção desse texto não é negar ou mascarar as falhas atuais, mas ressaltar que o Flamengo, apesar de tudo, evoluiu. Nos últimos quatro anos, o clube faturou a Copa do Brasil, três Campeonatos Cariocas e quebrou o jejum de 17 anos sem conquistar o Campeonato Brasileiro. Aliás, voltou a fazer campanhas dignas na competição, como comprovam o terceiro e o quinto lugares nas edições de 2007 e de 2008, respectivamente. E tem garantido presença constante da Libertadores.
Os crônicos problemas rubro-negros, no entanto, não podem ser ignorados. Os principais, a meu ver, a velha política do privilégio às estrelas, como já aconteceu com Romário e ocorre com Adriano, e o valor excessivo atribuído na Gávea ao título estadual, que prejudica seguidamente o desempenho do clube na Libertadores. São consequências de um problema macro, a não profissionalização da gestão do clube, mas com influência direta nos resultados.
É fato que uma mudança de cultura leva anos para acontecer, mas acho que algumas coisas poderiam ser aceleradas na Gávea. Peço apenas que a recente e significativa evolução rubro-negra seja levada em conta antes que alguma atitude drástica (ou mais drástica que o urgente e necessário choque de ordem para sacudir o time até quarta-feira) seja tomada. Se o clube sucumbir à enorme pressão, pode perder o rumo. O momento é delicado, mas não justifica o desespero.
Sobre o conturbado dia a dia, com seus fatos e personagens, escreverei depois.
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domingo, 18 de abril de 2010
A farra acabou (Fla 1 x 2 Botafogo)
O Flamengo precisa rever tudo até quarta-feira, contra o Caracas, no Maracanã, derradeira chance de garantir a classificação para a próxima fase da Libertadores. O time ainda não jogou 30% do que pode na temporada, não encontrou a formação ideal e demora demais para entrar no clima das partidas. O desastre só não é completo porque ainda resta o torneio continental – que, infelizmente, nunca foi e nem será prioridade no clube.
Nos primeiros 25 minutos de jogo, o Flamengo já havia recebido quatro cartões amarelos, graças ao péssimo estilo de arbitragem do sr. Gutemberg de Paula Fonseca. Ele foi coerente, não prejudicou nenhum dos dois times, apitou corretamente os pênaltis, mas é temerário distribuir cartões após qualquer falta boba cometida no centro do gramado. No segundo tempo, quando temperatura do jogo subiu, ele quase se complicou por isso.
Ao contrário dos jogos anteriores, a marcação do Flamengo era mais sólida e confiável. Mesmo assim, o Botafogo foi melhor na primeira metade da partida. Quando fez 1 x 0, com gol de pênalti de Herrera, o time de Joel Santana era mais organizado e levava algum perigo nos contra-ataques, enquanto os rubro-negros não ameaçaram o gol de Jefferson.
A partir daí, Andrade tirou Toró e colocou Vinícius Pacheco em campo, e o time melhorou. Em desvantagem no placar, passou a buscar o gol, mas somente pelas laterais do campo, principalmente com Leo Moura, pela direita. O empate veio por esse lado, no finalzinho, com boa jogada e cruzamento de Michael, que resultou no gol de Vagner Love depois de confusão na área, com participações de Adriano e David.
No segundo tempo, Pacheco foi a melhor opção, sempre pela esquerda. Ele atacava com eficiência até cair de rendimento, quando passou a cavar pênaltis e a ser desarmado com frequência. Aos 25 minutos, após cobrança de falta inexistente, o experiente Maldonado cometeu pênalti infantil em Herrera. Recebeu o segundo cartão e foi expulso – graças ao critério do árbitro – sem ter cometido uma falta que justificasse qualquer advertência.
Daí para o final, o Flamengo partiu para o abafa. A situação era totalmente desfavorável: empatar, empurrar o jogo para os pênaltis, levar a melhor nas cobranças e garantir o direito de disputar mais dois jogos. A melhor chance foi de Adriano, que desperdiçou pênalti, defendido por Jéfferson. Fierro e Pet ainda entraram na partida (o sérvio muito tarde, aos 40) e a equipe apertou, mas não deu. Botafogo campeão após três vices consecutivos. A farra acabou, a crise aumenta.Tomara que dê tempo de juntar os cacos até quarta-feira.
***
A frase do jogo é de Leandro Guerreiro, em entrevista à reportagem da Globo, no intervalo da partida, logo após o Botafogo sofrer o gol de empate:
“Está difícil, mas a gente vai ser campeão hoje.”
O volante ainda repetiu a afirmação, enfatizando o espírito do Botafogo nesse campeonato. Nem pareceu o Leandro Guerreiro de semblante cabisbaixo e derrotado de outros anos. O grande mérito dos caras é conhecer e aceitar as próprias limitações. Isso lhes deu força e capacidade de aplicação para os jogos mais difíceis que disputaram. O autosuficiente Flamengo podia rezar pela mesma cartilha.
Foto: GloboEsporte.com
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