quinta-feira, 8 de abril de 2010

Medo dos jogos disputados à tarde



Muita gente boa defende que o jogo entre Flamengo e Universidad de Chile deveria ser realizado em outra semana, para dar tempo de recuperação ao Rio de Janeiro e a seus habitantes. Moro em Brasília, mas acompanhei as trágicas consequências da chuva na vida dos cariocas. Não é fácil.

O fato irremediável, no entanto, é que o martelo foi batido e o duelo entre brasileiros e chilenos será realizado logo mais à tarde, no Maracanã. Deixo as opiniões sobre o recuo do governo do Rio de Janeiro para os moradores da cidade, que sentem na pele os efeitos do temporal. Só digo o seguinte: do ponto de vista futebolístico, a decisão não me agrada.

Além da fraca presença da torcida, os jogos disputados à tarde, em dias de semana, costumam tirar muito do clima necessário a partidas como essa. Um jogo de Libertadores com o céu claro corre o risco de tornar-se chocho, quando não deveria. Não sei como isso funciona na cabeça dos jogadores, embora me pareça prejudicial ao time que precisa da vitória - no caso, o Flamengo.

Mas são apenas impressões sem qualquer embasamento, exceto pelas lembranças de joguinhos sem graça realizados à tarde e que não terminaram bem para os times cariocas interessados: a esquisita eliminação do Flamengo para o Coritiba, no Macaranã, pela Copa do Brasil de 2001, e a derrota do Vasco para o Boca Juniors, em São Januário, pela Libertadores do mesmo ano.

Infelizmente, estou impossibilitado de conferir ao vivo se existe alguma lógica no que escrevi. No horário do jogo, estarei num auditório com a missão de acompanhar uma palestra. Não vai dar nem para lamentar a ausência de Adriano.

Lembranças de um temporal (Parte III - final)


Não estranhe a camisa seca de Petkovic na foto ao lado. Na tarde de 21 de outubro de 2001, o aguaceiro só desabou a partir da metade do segundo tempo. Era dia de Flamengo x Atlético-MG, mas no estádio Serejão, em Taguatinga, Distrito Federal. Isso porque, naquele ano, a diretoria do clube resolveu mandar alguns jogos do Campeonato Brasileiro e da Copa Mercosul no DF, com o manjado objetivo de faturar uns trocados a mais.

Não eram dias promissores para o Flamengo. O clube ocupava o 21º lugar entre 28 participantes, e lutaria contra o rebaixamento até a última rodada. Era triste ver craques como Gamarra e Petkovic, insatisfeitos com os salários atrasados, praticamente andando em campo em alguns jogos. É dessa época a famosa frase do lamentável Vampeta: “Eles fingem que me pagam e eu finjo que jogo.”

Pois o Flamengo daquela tarde precisava vencer. Contou, inclusive, com o apoio da esmagadora maioria dos 17 mil torcedores presentes no Serejão. Confiante numa vitória sobre o tradicional freguês, que disputava as posições de cima da tabela, fui até Taguatinga com meu irmão, um amigo, um tio e alguns primos. Afinal, e apesar de tudo, teríamos em campo Pet, Edílson e os jovens Juan (zagueiro) e Júlio César - Gamarra não jogou.

Mas o que vimos não foi animador. O Flamengo, comandado pelo técnico Zagallo, estava perdido no gramado. Lembro-me perfeitamente do terror a que o veloz Marques submeteu a defesa rubro-negra, enquanto seu parceiro de ataque, o preguiçoso Guilherme, esperava um daqueles passes açucarados que lhe oferecesse a oportunidade de empurrar a bola para o gol e levar o crédito.

E foi justamente Guilherme quem abriu o placar, lá pela metade do segundo tempo, silenciando a mim e aos demais rubro-negros do Serejão. Não me lembro se o temporal desabou antes ou depois do gol atleticano, mas o fato é que ficamos todos ensopados e o jogo, cada vez mais tenso.

Aos 40 minutos, com a derrota praticamente decretada e o receio de tumulto na saída do estádio, deixamos o Serejão, desprezando burramente o fator Pet: aos 44, o gringo acertou o pé numa cobrança de falta que venceu o goleiro Velloso. Era o empate salvador. Ouvimos apenas o grito estridente da torcida, que abafou por alguns instantes o barulho da chuva.

Apesar da frustração de ter perdido o lance, entramos felizes no carro. Pet, o herói do Tri sobre o Vasco cinco meses antes, salvava o Flamengo novamente. Só não havia como adivinhar o que aconteceria poucos segundos após eu ligar o rádio e sintonizar a partida: aos 46 minutos, o zagueiro Edgar marcou o segundo do gol do Atlético-MG. Fim de clássico, derrota rubro-negra por 2 x 1.

O domingo terminava tragicamente: seguimos para casa derrotados, encharcados e sem saber quando teríamos o verdadeiro Flamengo de volta.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Lembranças de um temporal (Parte II)


Ainda na carona da chuva que assolou o Rio de Janeiro e provocou o adiamento de Flamengo x Universidad de Chile. Segue relato do amigo Diego Abreu sobre o inesquecível Flamengo 2 x 1 Sport, pelo Campeonato Brasileiro de 2008.

"Era um sábado de tempo nublado no Rio. Naquela manhã de 27 de setembro de 2008, caiu uma leve chuva. Fui passar o fim de semana na Cidade Maravilhosa por um motivo triste: visitar meu avô que estava internado na UTI do hospital Quintas Dor - ele morreu dois dias depois, de câncer.

No começo da tarde, fiz a visita. Fiquei por lá umas duas horas. Quando saí, enxerguei o Maracanã a cerca de 1 km do hospital, já com movimento de torcedores rubro-negros. Para refrescar a cabeça diante de um momento difícil, eu e meu pai decidimos ir ao estádio assistir a Flamengo x Sport.

A chuva ainda não caía, mas o céu nublado já mostrava o que aconteceria naquele fim de tarde. Enfrentamos uma fila (ainda pequena na bilheteria) e compramos o ingresso de arquibancada. Logo que colocamos os pés na rampa da UERJ, o temporal começou a desabar. Não deu trégua. Ficamos no setor verde, no meio da Urubuzada, nos últimos degraus da arquiba para fugir do dilúvio.

Em campo, um Flamengo que não fazia gols e corria perigos. Até, que no começo da segunda etapa, Roger, de cabeça, abriu o placar para o Sport, aproveitando a cobrança de um córner em que Bruno saiu mal.

O que parecia ser mais uma derrota do Flamengo diante de sua torcida, se transformou em um dos jogos mais épicos da história recente rubro-negra. A chuva aumentou e Caio Júnior colocou em campo Vandinho, recém contratado junto ao Avaí. Faltando 8 minutos pro fim do jogo, em uma tabela com o atacante, Juan bateu na saída do goleiro e empatou.

O gol animou a massa, que não parou de cantar nem mais um segundo. A torcida – havia 40 mil pagantes no estádio - gritava 'Vamos virar Mengo', quando, aos 44 minutos, em cobrança curta de escanteio pelo lado direito de ataque, Marcelinho Paraíba recebeu e cruzou na cabeça do predestinado Vandinho, que balançou a rede e comemorou dando um mergulho no encharcado gramado.

A galera foi à loucura, parecia gol de título. Foi uma virada histórica. Na saída do estádio, poças d'água. Para pegar a rampa que dá acesso ao metrô, tivemos de pular uma cerca, pois o começo da rampa estava tomado de água - nada comparável ao terrível episódio dessa terça-feira no Rio, verdadeiro desastre causado pela chuva.

Esse Flamengo x Sport foi a partida que marcou um começo de reação do Flamengo rumo à classificação para a Libertadores. O time cresceu e ganhou importantes jogos, mas nada adiantou, pois nas três últimas rodadas colecionou fracassos e viu as chances de disputar o torneio sul-americano em 2009 irem para o ralo.

Quanto a Vandinho... Ah, esse foi o único jogo em que o atacante conseguiu ser decisivo vestindo vermelho e preto."

* Diego Abreu é repórter de política do Correio Braziliense.

Goteira maldita



Chove muito, e não apenas no Rio de Janeiro. O Flamengo sofre com o aguaceiro, e não apenas no futebol, com o adiamento do jogo pela Copa Libertadores.

Voltei frustrado ontem do ginásio da Asceb, em Brasília, onde a partida de basquete contra o Juventud Sionista, da Argentina, pelo Torneio Interligas, foi interrompida. Desastre total, até porque o local do jogo, antes confirmado para o Nilson Nelson, fora mudado de última hora porque os times argentinos não aprovaram o piso – fiquei sabendo graças ao aviso de um colega que trabalha na editoria de esportes de um jornal.

A primeira paralisação por causa das goteiras aconteceu no primeiro quarto e durou cerca de 20 minutos. Logo em seguida, outra notícia patética: o placar eletrônico sofrera um curto-circuito. A contagem de pontos e o tempo de jogo passaram a ser anunciados, a cada cesta, pelo alto-falante. A “narradora” era uma funcionária da mesa responsável pelas estatísticas, sentada e com um microfone na mão.

O jogo foi reiniciado, mas interrompido outras duas vezes, a última às 20h50, no fim terceiro quarto, com vitória parcial do Flamengo por 66 a 62. Enquanto nada era definido, os rubro-negros Marcelinho, Fred, Dedé e Vitor se divertiam ao tentar fazer cestas com o pé, num futevôlei de surpreendente bom nível. A brincadeira era incentivada pelos escassos integrantes da Jovem Fla, desta vez pacífica, e da Flamigos.

Em outro ponto da pequena arquibancada, os poucos aventureiros da torcida organizada do Universo, que jogaria depois contra o argentino Libertad Sunchales, aguardavam - em vão- a partida de seu time. E um sujeito ao meu lado assistia aos gols de Messi contra o Arsenal pela TV do telefone celular.

Só uma hora após a segunda interrupção, às 21h50, com os jogadores do Juventud Sionista já no vestiário, foi anunciado o adiamento. Isso depois de intensa movimentação e conversas entre os cartolas dos quatro participantes do torneio, todos na quadra do ginásio, seguidos de perto pelos repórteres presentes.

Confirmadas a decisão e a mudança de regulamento do quadrangular, hora de pegar o dinheiro de volta – afinal, não poderei comparecer hoje, já que o restante do duelo será disputado a partir das 18h, horário impraticável para quem trabalha.

Paguei R$ 20 pela inteira, mas me deram um ingresso de meia-entrada porque não havia bilhetes com o valor total impresso. Todos, inclusive, eram sobras do jogo do último domingo entre Flamengo e Universo, no Nilson Nelson.

Resultado: tive de explicar à moça responsável pela devolução que, embora estivesse escrito “meia-entrada” em meu ingresso, eu tinha pago o valor integral. Ela me olhou desconfiada, mas preferiu não discutir e me devolveu os R$ 20. Virei as costas, saí do ginásio, peguei meu carro no estacionamento e voltei para casa.

Muita coisa precisa mudar.

Foto: GloboEsporte.com

terça-feira, 6 de abril de 2010

Lembranças de um temporal


Caso a chuva continue a castigar o Rio de Janeiro e, mesmo assim, o jogo do Flamengo contra o Universidad de Chile seja mantido para amanhã, não terá sido a primeira partida importante do clube em dia de temporal.

Em 13 de dezembro de 1987, a cidade amanheceu debaixo de chuva implacável. Mesmo assim, 91 mil pessoas, inclusive o alemão Franz Beckenbauer, enfrentaram o mau tempo para assistir a Flamengo x Internacional, decisão do Campeonato Brasileiro.

Quando o jogo começou, São Pedro já dava uma trégua, embora o gramado enlameado evidenciasse os efeitos do aguaceiro.

Mas, como o Maracanã não se chama Engenhão nem Beira-Rio, o único gol da partida aconteceu após jogada de lindo toque de bola. O Flamengo colocou o Internacional na roda e Andrade rolou macio, em profundidade, para Bebeto, que chegou antes de Taffarel fez 1 x 0, aos 16 minutos do primeiro tempo.

O narrador Galvão Bueno, que já trabalhava na Globo, definiu o lance como um “típico gol do Flamengo.”

Que a vitória de 1987 sirva de inspiração para os jogadores rubro-negros. Andrade poderia lembrá-la na preleção. Não importa se amanhã ou quinta-feira.

Sobre a tal prioridade



Chegou a hora tão temida pelo torcedor do Flamengo. O jogo de amanhã, contra o Universidad de Chile, pela Copa Libertadores, e o de sábado, contra o Vasco, pelo Campeonato Carioca, anunciam o momento delicado com o qual o clube já mostrou incapacidade para lidar inúmeras vezes: o de priorizar uma competição de caráter nacional ou internacional em detrimento do Campeonato Carioca.

Sim, o assunto pode ser encerrado já nos próximos dias, pois uma derrota para o Vasco elimina o Flamengo do estadual e deixa o terreno livre – a depender do resultado do jogo contra os chilenos – para a briga pelo troféu sul-americano. Por outro lado, se o clube conquistar a classificação para a final da Taça Rio, vai prolongar por no mínimo mais uma semana a disputa simultânea das competições.

A decisão parece fácil: esnoba-se o deficitário estadual e concentra-se no torneio de maior apelo esportivo e financeiro. Mas a história guarda inúmeros casos de fracassos rubro-negros em situações similares. A torcida se fartou de ver o time faturar o Campeonato Carioca enquanto dava adeus, muitas vezes de forma vexatória, à Copa do Brasil ou à Libertadores – o auge foi a derrota para o América do México, em 2008.

O fato é que, apesar dos discursos de Bruno e de Ronaldo Angelim, que juram não ter digerido até hoje os gols de Cabañas, e das recentes palavras de Andrade, ao pregar a importância da Libertadores, ainda é impossível saber se o Flamengo aprendeu com o passado recente. A cultura do estadual é muito forte no Rio de Janeiro. Contagia os cartolas do clube, que deveriam ser imunes a isso, e os jogadores.

Não me esqueço até hoje de 2007. O Flamengo acabava de treinar em Montevidéu, na véspera do jogo contra o Defensor. Entrevistado por um repórter de televisão, o atacante Souza passou a comentar a decisão do Carioca, contra o Botafogo, que coincidia com os jogos no Uruguai. Talvez o jornalista tenha puxado o assunto, mas era evidente que a cabeça dos jogadores estava no Maracanã, e não no Centenário.

Acho perfeitamente possível, para o atual elenco rubro-negro, disputar as duas competições para ganhar – com ou sem Adriano. Mas é necessário ter capacidade para minimizar um eventual fracasso no Campeonato Carioca, papel que cabe à diretoria, por mais que a freguesia solte rojões em caso de derrota rubro-negra. Como costuma dizer o amigo berna beat, do blog mengo beat, aturar é uma virtude.

O Flamengo precisa apostar todas as suas fichas na Libertadores. Vencê-la ou não é outra história.

Incapacidade crônica

Veja algumas ocasiões em que o Flamengo foi campeão carioca, mas acabou eliminado de torneios mais importantes por valorizar excessivamente o estadual:

2000
Flamengo 3 x 0 Vasco – Campeonato Carioca (decisão) – 11/6
Vasco 1 x 2 Flamengo – Campeonato Carioca (decisão) – 17/6
Flamengo 0 x 4 Santos – Copa do Brasil (quartas-de-final) – 21/6
Santos 4 x 2 Flamengo – Copa do Brasil (quartas-de-final) – 24/6

2001
Coritiba 3 x 2 Flamengo – Copa do Brasil (quartas-de-final) – 16/5
Flamengo 1 x 2 Vasco – Campeonato Carioca (decisão) – 21/5
Flamengo 1 x 1 Coritiba – Copa do Brasil (quartas-de-final) – 23/5
Vasco 1 x 3 Flamengo – Campeonato Carioca (decisão) – 27/5

2007
Flamengo 2 x 2 Botafogo – Campeonato Carioca (decisão) – 29/4
Defensor 3 x 0 Flamengo – Copa Libertadores (oitavas-de-final) – 2/5
Botafogo 2 x 2 Flamengo (2 x 4) – Campeonato Carioca (decisão) – 6/5
Flamengo 2 x 0 Defensor – Copa Libertadores (oitavas-de-final) – 9/5

2008
Flamengo 1 x 0 Botafogo – Campeonato Carioca (decisão) – 27/4
América (MEX) 2 x 4 Flamengo – Copa Libertadores (oitavas-de-final) – 30/4
Botafogo 1 x 3 Flamengo – Campeonato Carioca – (decisão) – 4/5
Flamengo 0 x 3 América (MEX) – Copa Libertadores (oitavas-de-final) – 7/5

* Post dedicado ao mestre Milton Cabral, tricolor de coração, que sempre me incentivou a escrever. Obrigado, Milton.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

São todos iguais (até no basquete, até no DF)




Enquanto os jogadores do Flamengo sofriam para segurar Alex e Gulherme Giovannoni, do Universo, a torcida rubro-negra se empolgava nas arquibancadas do Ginásio Nilson Nelson, ontem, em Brasília. Ao contrário do que acontece nos dias ruins do time de futebol, a galera apoiava sem restrições a equipe de basquete. Mas era complicado distinguir os gritos, já que eles partiam de três diferentes grupos organizados que não se entendiam, numa triste cópia do modelo do Rio de Janeiro.

O local não estava lotado para o jogo da última rodada da fase de classificação no Novo Basquete Brasil (NBB). Tímida quando transposta do acanhado ginásio da Asceb para o gigante Nilson Nelson, a torcida organizada do Universo, que não é mesmo muito numerosa, ocupava um único lance de cadeiras – exatamente como o espaço destinado aos torcedores visitantes no Maracanã, no caso do futebol. Os demais simpatizantes do time espalhavam-se pela arquibancada relativamente vazia.

A torcida do Flamengo, mais concentrada, teve direito a espaço considerável, também na arquibancada. A poucos minutos do início do jogo, a Urubuzada já fazia festa. A Jovem Fla chegou pouco depois, uma rapaziada bem jovem, acompanhada de um colorado e de um são-paulino. A falta de entrosamento começava: apesar de próximos, os grupos cantavam músicas diferentes durante boa parte do tempo.

A paz terminou quando a Raça Rubro-Negra apareceu no ginásio, por volta da metade do segundo quarto, num momento em que Flamengo e Universo erravam bastante. Os recém-chegados subiram correndo os degraus da arquibancada e foram de encontro à Jovem Fla. Os dois grupos, separados por uma cerca de ferro, se encaravam e se ofendiam. Famílias que estavam próximas mudaram rapidamente de lugar. E a Polícia Militar precisou marcar presença para abortar o confronto iminente.

Por conta do princípio de tumulto, poucos torcedores acompanharam o empenho da equipe de Marcelinho durante parte do segundo quarto. A atenção voltou para o jogo no momento exato da bela cesta de três pontos de Duda, que garantiu a virada rubro-negra no período: 40 x 39. Foi um dos raros momentos de grito em uníssono, com o tradicional “Sai do chão / sai do chão/ a torcida do Mengão.”

Sorte que quase nenhum torcedor do Flamengo notou a violenta discussão do pivô Wagner com Mineiro e Rossi, do Universo. O empurra-empurra aconteceu no caminho para os vestiários, do outro lado do ginásio, longe dos rubro-negros, mas muito próximo das cadeiras onde estava a organizada do time de Brasília – estes se amontoaram na grade para acompanhar a confusão.

Na segunda metade da partida, os ânimos das arquibancadas já estavam controlados. Os tranquilos  integrantes da Urubuzada seguiam seu ritmo naturalmente. O pessoal da Raça e da Jovem, separados pela cerca de ferro e pela Polícia Militar, cumpria o ritual de trocar ofensas, descer até o bar para pegar cerveja, acender um cigarro, voltar para o grupo, jogar conversa fora e apoiar o time.

Os gritos desentrosados, porém, continuavam. Acompanhei a segunda metade do jogo no lance mais baixo da arquibancada, a certa distância das organizadas, e me perguntei se os jogadores conseguiam distinguir algo na confusão dos cantos. As vozes se uniam somente na hora do “Vamos virar, Mengô”, que se revelou infrutífero num dia pouco inspirado dos jogadores do Flamengo – o Universo venceu por 90 x 83.

Se os torcedores importassem do Rio de Janeiro somente os gritos de guerra e o conhecimento necessário para fazer uma festa bonita, o time agradeceria. Num dos raros momentos de união nas arquibancadas, alguns jogadores olharam na direção da torcida enquanto o técnico Paulo Chupeta conversava com os atletas. Talvez pensando que poderia ter sido assim durante toda a partida.

Fica a lição para os jogos do Flamengo pelo Torneio Interligas, que começa amanhã e termina na quinta-feira, também no Nilson Nelson.

* Texto atualizado na manhã de terça-feira, 6 de abril, após divulgação da tabela do Torneio Interligas.  

domingo, 4 de abril de 2010

Grata surpresa no meio (Friburguense 0 x 3 Fla)


Este aí não jogou nada. O destaque foi Michael.

Os dois reservas que eu desejava ver em ação não fizeram nada contra o Friburguense, no péssimo gramado de Moça Bonita. Gil esteve lento e pouco inspirado. Deve ser por isso que nunca que empolgou Andrade. Ramon, que considero opção interessante para a criação das jogadas do Flamengo, perdeu a chance de mostrar serviço: desligado e sem mobilidade, errou quase tudo.

A grata surpresa da tarde foi o apoiador Michael, ex-Botafogo e até então encostado. Ele tem desenvoltura, bom passe e personalidade. Participou ainda dos três gols do Flamengo: bateu a falta que resultou no primeiro, de Ronaldo Angelim, cavou o pênalti batido por Denis Marques (segundo) e iniciou a jogada do gol contra do zagueiro Wallace.

Michael também convenceu jogando um pouco mais adiantado, após a substituição de Ramon por Rômulo. De seus pés saíram alguns bons contra-ataques, como o do terceiro gol. Apesar da vasta concorrência, o atleta parece ter futebol para brigar por espaço. Bom para Andrade.

Vale ainda o registro: o time de reservas do Flamengo cedeu menos espaço ao adversário e levou menos sustos que a equipe titular. O único lance que me gelou a espinha foi a queda esquisita de Maldonado. O chileno parecia ter torcido ou quebrado alguma coisa, mas se levantou e voltou para o jogo. Ufa.

***

A frase do jogo é do comentarista Marcelo Rodrigues, durante transmissão do PFC:

“O Flamengo já tem um grande goleiro, caso o Bruno deixe o clube. Para o bem do futebol brasileiro”.

O entusiasmado Rodrigues referia-se ao jovem Marcelo Lomba. Menos, Rodrigues. Menos.

Foto: GloboEsporte.com

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Haja saco



O assunto “Taça das Bolinhas” voltou à tona ontem, via CBF.

Ora, qualquer que seja o destino do troféu, não fará muita diferença.

Se o Flamengo recebê-la, a freguesia continuará a considerar o Sport o campeão brasileiro de 1987.

Se o São Paulo recebê-la, os rubro-negros continuarão a considerar o Flamengo o campeão brasileiro de 1987.

A única mudança é que haverá mais munição de um lado ou de outro – além do chilique de São Paulo e de Sport caso a taça vá para a Gávea.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Quero ver Gil


Gil é autor de célebre frase que entrou para o folclore do futebol brasileiro. O atacante comemorava o título mineiro de 2006 pelo Cruzeiro quando travou o seguinte diálogo com um repórter de rádio, ainda no gramado:

Repórter: Vale tudo, Gil? Vale tudo, Gil? Até o torcedor invadir o campo, tirando a roupa de vocês? Vale tudo?

Gil: Só não vale dar o c*! Mas o resto, vale tudo.

Pois Gil, revelação do início do século XXI, Bola de Prata da revista Placar pelo Corinthians, em 2002, será titular do time de reservas do Flamengo que enfrenta o Friburguense, domingo, pelo Campeonato Carioca.

Sempre gostei do futebol de Gil. Desde que chegou à Gávea, tenho curiosidade em ver o que o atacante poderia fazer com a camisa rubro-negra, apesar das passagens apagadas por Botafogo e Internacional, últimos clubes antes antes do Flamengo.

Mas a única lembrança nítida que tenho de Gil no clube é péssima: um gol perdido bisonhamente naquele 1 x 0 sobre o Botafogo, no segundo turno do Campeonato Brasileiro do ano passado, no Engenhão, quando Adriano resolveu a parada.

De acordo com o jornal Correio Braziliense, o atacante-filósofo saiu aplaudido do jogo entre Flamengo B e Brasília, na noite de quinta-feira da última semana, num vazio Mané Garrincha, na capital federal.

Pode parecer maluquice, mas estou ansioso ver Gil atuando nesse joguinho diante do Friburguense. Aliás, Gil e Ramon, este último pouquíssimo aproveitado por Andrade.

Vai ser um domingo bacana.